A defesa de Mayk Steve Richter Nobre, ex-diretor de uma unidade do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, manifestou-se publicamente nesta quarta-feira (29) para negar as acusações de assédio sexual e moral contra uma subordinada. Em nota oficial, os advogados do ex-gestor afirmaram que as denúncias recentes não condizem com a realidade e que acreditam plenamente na sua absolvição ao final do processo.
Mayk Steve, que chefiava um presídio de segurança máxima, tornou-se réu na Justiça em março, após denúncia oferecida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A acusação aponta que ele teria realizado investidas sexuais inadequadas contra uma policial penal que trabalhava sob seu comando, além de solicitar fotos íntimas e submetê-la a situações de humilhação no ambiente de trabalho.
O caso corre sob sigilo de justiça, medida adotada pelo Poder Judiciário para resguardar a identidade e a integridade da vítima. Segundo o Ministério Público, a conduta do ex-diretor se enquadra nos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal, com o agravante de intimidação sistemática, o que reforça a gravidade das alegações apresentadas pela servidora.
Apesar da negativa atual da defesa, documentos anexados ao processo pelo Ministério Público revelam detalhes do depoimento anterior de Mayk. Na delegacia, ele teria admitido o envio de mensagens e o pedido de fotografias íntimas à subordinada. Além disso, os documentos citam que o réu confirmou o teor das conversas, incluindo relatos explícitos de excitação fisiológica durante os diálogos.
O escritório de advocacia Sérgio Fonseca e Flávio Fonseca, responsável pela defesa de Mayk, emitiu uma nota à imprensa para contrapor a repercussão do caso. No comunicado, os defensores destacam que as informações divulgadas até o momento “não refletem a realidade dos fatos” e que a verdade será estabelecida ao longo da instrução processual.
A nota enfatiza que, devido ao segredo de justiça imposto ao processo, a defesa está legalmente impedida de fornecer detalhes técnicos ou provas que rebatam as acusações de forma minuciosa neste momento. Os advogados ressaltam que o sigilo é uma norma legal que deve ser respeitada por todas as partes envolvidas para evitar nulidades processuais.
Mesmo diante das limitações impostas pelo sigilo, a equipe jurídica reafirmou sua confiança nas instituições competentes. A defesa alega estar segura de que o Poder Judiciário fará uma apuração isenta e rigorosa, permitindo que o ex-diretor apresente sua versão dos acontecimentos de maneira formal e dentro dos ritos estabelecidos.
No texto enviado ao portal g1, os advogados reiteram o compromisso inabalável com a legalidade e com o direito constitucional à ampla defesa. Eles argumentam que o devido processo legal é a única via para que a inocência de Mayk Steve Richter Nobre seja devidamente reconhecida e validada pela magistratura brasiliense.
As investigações apontam que o comportamento do ex-diretor gerou um ambiente de trabalho hostil para a vítima. Relatos indicam que, após as supostas investidas sexuais não serem correspondidas, a policial penal teria passado a sofrer retaliações e constrangimentos públicos dentro da unidade prisional de segurança máxima.
O Ministério Público, além de buscar a condenação criminal, também incluiu no processo um pedido de reparação financeira. O órgão solicita que a Justiça fixe um valor mínimo a título de danos morais, visando compensar o sofrimento psicológico e os danos à carreira e à imagem da servidora afetada pelas ações do réu.
A denúncia contra o ex-diretor causou forte impacto na estrutura da Secretaria de Administração Penitenciária (Seape). Mayk Steve ocupava um cargo de alta confiança no sistema prisional, sendo responsável pela gestão de uma das unidades mais sensíveis do Complexo da Papuda, onde o rigor disciplinar é fundamental.
A repercussão do caso também reacendeu o debate sobre o assédio moral e sexual dentro das forças de segurança pública. Entidades de classe têm acompanhado o desdobramento da denúncia, reforçando a necessidade de protocolos mais rígidos para a proteção de mulheres em ambientes hierarquizados.
Até o momento, a Justiça segue com a coleta de provas e análise dos depoimentos. O histórico das conversas admitidas pelo réu em sede policial deve ser um dos pontos centrais da análise técnica realizada pela perícia, visando determinar se houve abuso de autoridade e coerção sexual.
A expectativa agora gira em torno das próximas audiências de instrução e julgamento, onde as testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas. Somente após essa fase, o juiz responsável pelo caso proferirá a sentença, decidindo se as provas são suficientes para a condenação ou se a tese de inocência prosperará.
Enquanto o processo avança, a defesa de Mayk Steve mantém a postura de aguardar as decisões judiciais com serenidade. Os advogados concluem a nota reforçando que o réu está à disposição da justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários para que o caso seja encerrado com a sua absolvição definitiva.
