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Delegado da PCDF que disparou contra três mulheres é encontrado morto

O delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Mikhail Rocha e Menezes, de 46 anos, foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira (24), em sua residência localizada em Goiânia (GO). A confirmação do óbito encerra um capítulo conturbado da vida do policial, que estava sob os holofotes da justiça desde o início do ano passado.

De acordo com as informações preliminares, o corpo de Mikhail foi localizado dentro de casa, onde ele vivia atualmente. No momento em que foi achado, o delegado estava abraçado a uma fotografia de sua família, indicando um forte componente emocional no cenário encontrado pelas autoridades goianas.

As circunstâncias da morte apontam para um ato extremo. O policial teria tirado a própria vida por meio de enforcamento, um desfecho que ocorre em meio a um quadro severo de instabilidade psicológica que já vinha sendo monitorado pelas instituições responsáveis.

Mikhail Rocha e Menezes tornou-se figura central de um crime de grande repercussão em 16 de janeiro de 2025. Na ocasião, o delegado foi preso em flagrante após disparar contra três mulheres, gerando pânico e mobilizando as forças de segurança do Distrito Federal.

O episódio de violência incluiu momentos de extrema tensão, como a invasão de uma unidade hospitalar. Após os disparos, o delegado teria fugido do local levando o próprio filho, o que agravou ainda mais a gravidade da situação perante a lei e a opinião pública.

A captura de Mikhail foi realizada por uma equipe do Patrulhamento Tático Motorizado (Patamo), da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Ele foi interceptado enquanto dirigia, tentando fugir com o filho, que estava ferido no banco do carro, o que chocou os agentes que efetuaram a prisão.

Na delegacia, Mikhail alegou que estava em surto psicótico no momento em que efetuou os disparos. A defesa do policial sustentou, ao longo do processo, que suas faculdades mentais estavam comprometidas, o que teria motivado o comportamento violento e irracional.

Devido ao seu estado de saúde mental, o delegado já se encontrava afastado de suas funções na PCDF desde antes dos crimes ocorrerem. A corporação mantinha o servidor fora das atividades operacionais e administrativas enquanto ele buscava reabilitação.

Após passar um período detido, a Justiça concedeu a Mikhail o direito de responder ao processo em liberdade. Para isso, ele foi submetido a medidas cautelares rigorosas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o monitoramento constante por parte do Estado.

Além do monitoramento eletrônico, o delegado estava sob acompanhamento psiquiátrico intensivo. O tratamento era uma das condições para que ele permanecesse fora do sistema prisional, visando garantir tanto a sua segurança quanto a da sociedade.

A mudança para Goiânia fazia parte desse período de liberdade vigiada. O policial buscava, na capital vizinha, um ambiente para seguir com seus cuidados médicos enquanto aguardava o desenrolar das investigações e o julgamento pelas tentativas de feminicídio.

O histórico da ocorrência do ano passado indicava que Mikhail portava duas armas de fogo no momento de sua prisão. O arsenal foi apreendido pelas autoridades logo após ele ser localizado pelas equipes da PMDF durante a tentativa de fuga com a criança.

A notícia de sua morte repercutiu rapidamente nos bastidores da PCDF e entre os familiares das vítimas. O caso, que misturava violência doméstica, segurança pública e saúde mental, era acompanhado de perto por órgãos de fiscalização e direitos humanos.

A Polícia Civil de Goiás realizou a perícia no local onde o corpo foi encontrado para formalizar as causas do óbito. O laudo cadavérico deve confirmar a causa da morte e integrar o inquérito que agora será encerrado devido à extinção da punibilidade do réu.

O desfecho trágico de Mikhail Rocha e Menezes levanta discussões sobre o suporte psicológico oferecido aos profissionais de segurança pública. O caso termina com a morte do agressor, mas deixa marcas profundas nas vítimas sobreviventes e em todos os envolvidos na tragédia.

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