A decisão da CPMI do INSS de pedir o indiciamento de Lulinha, nesta sexta-feira, 27, soa menos como um desdobramento técnico de investigação e mais como uma tentativa deliberada de criar um fato político. Não deixa de causar estranheza que alguém sequer tenha sido chamado a depor e, ainda assim, já figure como alvo de um pedido de indiciamento. Mais grave: a acusação se sustenta apenas na palavra de um delator que não apresentou qualquer prova material capaz de dar lastro às suas alegações. Em um cenário minimamente sério, isso deveria acender alerta sobre o uso político de instrumentos que deveriam servir à apuração responsável dos fatos.
Mas a jogada, ao que tudo indica, cobra um preço alto e imediato. No mesmo dia em que o pedido veio à tona, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas, passou de acusador a acusado. O deputado Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke acionaram a Polícia Federal diante de indícios gravíssimos: suspeitas de estupro de vulnerável e tentativa de compra de silêncio. Segundo o documento apresentado, há elementos que indicariam, em tese, violência sexual contra uma menina de 13 anos, com consequências ainda mais perturbadoras: uma gravidez e o nascimento de uma criança que hoje teria cerca de oito anos.
Diante de um quadro tão grave, o mínimo que se espera é coerência institucional e compromisso com a verdade. Se há acusações contra Lulinha, que sejam investigadas com base em provas concretas e dentro do devido processo legal. Da mesma forma, e com ainda mais urgência, pela natureza dos fatos, as denúncias envolvendo o relator da CPMI precisam ser apuradas com rigor absoluto pela Polícia Federal. O país não pode aceitar que investigações sejam usadas como armas políticas, nem que denúncias de tamanha gravidade sejam tratadas com seletividade ou conveniência.
