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Dinheiro da Taurus mata ida de Sandro para a Segurança Pública

Os ministros Flávio Dino (Justiça), José Múcio (Defesa), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil) e o general Gonçalves Dias (Gabinete de Segurança Institucional) foram alertados nesta quarta, 25, para os riscos de Sandro Avelar ser nomeado secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. A advertência partiu do PT brasiliense, por meio do Coletivo de Segurança.

Também nesta quarta, Notibras teve acesso a um relatório reservado elaborado por agentes da área de inteligência da Polícia Federal, com a estrita colaboração da Abin, do CIEx e do GSI, apontando um elo de ligação entre Sandro Avelar e a indústria armamentista. Cópia deste documento será entregue em mãos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje em viagem oficial ao exterior.

O grupo estranhou o fato, por exemplo, de Sandro Avelar ter recebido dinheiro da Taurus, principal fornecedora de revólveres, pistolas e metralhadoras para a PF e secretarias de Segurança, para financiar uma frustrada tentativa de eleger-se deputado federal pelo MDB de Brasília em 2014.

Uma situação na melhor das hipóteses antiética, confidenciou uma fonte policial, uma vez que, à época, Avelar era secretário de Segurança do Distrito Federal e havia reequipado algumas unidades policiais com equipamentos vendidos pela Taurus.

No relatório consta ainda que o indicado à SSP-DF recebeu dinheiro também de fornecedor de combustível, a exemplo da Rede Cascol; empresas de trading – importadoras de diferentes produtos -, e até mesmo de uma pequena revenda de automóveis em São Paulo.

Só a Taurus, deve 50 milhões de reais de indenização ao GDF por ter entregue armas com defeitos de fabricação, que colocaram policiais militares da capital da República em risco desnecessário de vida. A própria PMDF mandou recolher 124 mil pistolas após uma série de falhas.

O relatório recorda, a propósito, que Avelar, estranhamente, foi o único candidato do DF a uma cadeira na Câmara dos Deputados a receber recursos da Taurus para a sua campanha.

Os investigadores também pontuaram que quando Sandro Avelar ocupava o cargo de chefe do Sistema Penitenciário em Brasília, houve o episódio da construção de um espaço especial para o o então presidiário Luiz Estevão, no estilo Pablo Escobar.

Só para recordar: Luiz Estevão foi condenado a 31 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, por corrupção, em parceria com o Juiz Lalau, na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. A condenação também incluiu a restituição de 468 milhões de reais aos cofres da União.

Sandro Avelar – ainda de acordo com as fontes de Notibras – tem o mau hábito de crises de ciúmes. Houve momento em que, na Câmara Legislativa, o delegado, ao lado da então deputada distrital Celina Leão, que presidia a sessão, soltou cobras e lagartos contra o presidente Cabo Patrício (PT), que fazia um pronunciamento na tribuna, cobrando mais atitudes do secretário para garantir segurança à sociedade.

No relatório, os agentes da área de inteligência, estranham o fato de um secretário de Estado, como foi o caso de Sandro Avelar, confrontar um parlamentar quando convidado àquela Casa de Leis, xingando-o de “bobo da corte” e “safado”, dentre outros impropérios que Notibras prefere omitir em respeito aos seus jovens leitores.

Ainda tem mais, mas, por hoje é só.

**Nota da Taurus
A gestão atual da Taurus não tem nenhuma relação com os fatos narrados acima, diz a empresa em nota encaminhada à Redação de Notibras nesta sexta-feira, 27, uma vez que assumiu a indústria “somente em 2015, após a mudança do controle da companhia, com a aprovação da aquisição de ações pela Companhia Brasileira de Cartuchos – CBC (…) Antes disso, qualquer outro dos atuais executivos da Taurus exercia qualquer função na companhia. Eventuais contribuições da companhia para campanhas eleitorais em 2014 – que eram permitidas à época – não têm nenhuma relação com a atual gestão da empresa. Da mesma forma, as últimas vendas de produtos da Taurus para as polícias militar e civil do Distrito Federal ocorreram entre os anos de 2010 e 2014, também antes de a atual gestão assumir a companhia. Sob a gestão atual, não foram feitas vendas para o Distrito Federal”. A Taurus também nega que deva 50 milhões de reais aos cofres do GDF. Segundo a empresa, não há decisão judicial sobre o assunto.

 

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