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Disputa pelo trono do Buriti em 2026 pode ser decidido entre duas rainhas

O Distrito Federal goza do excepcional conforto da desobrigação do voto a cada dois anos, diferente das demais unidades da Federação. Eleições obrigatórias representam um incômodo compromisso cívico aos que preferem um domingo no parque. Mas assim é a cada quatro anos na casa dos três poderes. As eleições de 2026 são edificadas com antecedência, quando alguns nomes surgem espontaneamente como pré-candidatos a ocupar o lar da loba.

Pesquisas recentes, realizadas ao final de agosto, identificam Celina Leão com grande vantagem eleitoral – 37,2%. É um índice que faz a concorrência pensar muito bem se vale o risco de uma aventura ao pleito majoritário. Governar o Distrito Federal é o sonho de incontáveis políticos. Celina Leão já beliscou esse objetivo. Ela vice-governa o DF e foi a mandatária interina no período em que Ibaneis Rocha esteve afastado por decisão judicial. Sabe muito bem como conduzir o Palácio do Buriti. E seus fãs.

Perfil oposto ao da rainha da selva brasiliense, o nem tão esquecido José Roberto Arruda, aparece com 16%. O Vingador do Futuro, como é conhecido por aqueles que deixaram de desejar a ele um bom dia matinal no elevador, surpreende com um elevado índice de recall, quase a metade do obtido pela atual vice-governadora. É muito para quem foi reduzido a quase nada por operações policiais.

Aparecem também o analógico Izalci Lucas, atualmente senador, identificado com a logomarca que é um lápis, objeto que as novas gerações de até 30 anos desconhecem. Ele recebeu 9%, menos que Leandro Grass, com 9,7%, que não tem a menor ideia de como conduzir mais de cem mil servidores ativos do GDF e suas secretarias, autarquias e administrações regionais. Grass prefere as árvores, que são fixas e autossuficientes, e carece de experiência como executivo de expressão. Ele é verde.

Lançada à sorte, surge como ferrolho da lista uma parlamentar que desperta curiosidade: Paula Belmonte. Recebeu 6% das intenções de voto. O Real Brasília Futebol Clube, time de seu marido e mentor, Luis Felipe Belmonte, não soma essa quantidade de torcedores. Fica a pergunta: qual a origem de tantos votos conferidos à parlamentar considerada desconhecida entre os entendidos? Pouco importa a resposta, mas a curiosidade é que ela poderá ser a única a oferecer um enfrentamento direto a Celina Leão. Seja pelo gênero, pela biografia, pela presença marcante nos ambientes que frequentam.

Uma disputa entre duas mulheres pela cadeira do Buriti vai garantir ao eleitorado um farelo de novidade em 2026, longe de velhos discursos. Um diz que realizou mais de 55.128 obras (incluindo inauguração de bebedouro em escola pública). Outro afirma que o futuro está na preservação das abelhas e que o THC contribui no entendimento do mimetismo partidário. O terceiro jura que a IA é apenas uma novidade passageira e que a surrada caderneta é seu instrumento de trabalho, onde é possível apagar os erros com uma simples borracha (será que as gerações consoantes sabem o que é uma borracha?).

Restam as duas pontas extremas no rol da pesquisa de pré-candidatos: a primeira, Celina Leão e seu rugido de quem já dominou a selva. A derradeira, Paula Belmonte, com seu miado manso e capacidade de acolher sua cria sem muito alarde. Garras não vão faltar.

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