A esquerda gaúcha volta a expor suas fissuras em um momento em que mais precisaria demonstrar coesão. A sinalização do PSOL de que pode deixar a aliança caso o PT recue da pré-candidatura de Edegar Pretto para apoiar Juliana Brizola é o reflexo da desconfiança acumulada. A dificuldade de construção de consensos dentro do próprio campo progressista revela um problema antigo no estado: a incapacidade de alinhar estratégia eleitoral com identidade política.
A pressão da direção nacional do PT para manter pontes com o PDT revela uma tentativa de equilibrar pragmatismo e coerência. De um lado, a lógica eleitoral que busca ampliar alianças e garantir competitividade; de outro, partidos como o PSOL, que resistem a movimentos que consideram concessões excessivas. No meio disso tudo, fica a militância e o eleitorado, que assistem a uma disputa interna que pouco dialoga com as urgências concretas do Rio Grande do Sul.
O risco é que essas disputas intestinas acabem enfraquecendo o campo progressista como um todo. A esquerda, mais uma vez, parece presa em suas próprias contradições. Se não houver maturidade política para construir uma saída negociada, o preço pode ser alto: a entrega de espaço político a quem menos dialoga com os interesses populares.
