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É possível ser resiliente para viver mais e melhor?

Para a psicologia, resiliência é a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação.

No envelhecimento este conceito cai muito bem. Quando envelhecemos nosso corpo naturalmente começa a apresentar o que vou chamar de falhas. É o famoso doi aqui doi ali. Há uma deterioração progressiva da função dos órgãos.

Os rins já não filtram mais tão bem o sangue, o aparelho digestivo perde parcialmente a capacidade de absorver os nutrientes, o cérebro apaga fatos e acontecimentos e os genes mudam prejudicando o funcionamento das proteínas e células.

No entanto, muitas pessoas têm enfrentado problemas como de visão, fraqueza nas pernas, redução da audição e até mesmo dificuldades psicológicas de maneira bastante resiliente.

Dia desses conheci uma senhora que me disse que, como ela não escuta muito bem, adotou uma técnica bastante interessante para interagir com os familiares e amigos: ler os lábios dos interlocutores enquanto falam. Na TV, aprendeu a colocar legendas e, quando não é possível, assiste a programas brasileiros lendo o lábio da pessoa ou com a ajuda de um fone de ouvido.

À medida em que vai treinando, sua capacidade de entendimento aumenta. Podemos dizer aqui que ela não se deixou abater e nem ceder à pressão da dificuldade e passou a adotar métodos para se comunicar.

Conheço uma senhora de 80 anos que perdeu a visão por conta do glaucoma. Como ela gosta muito de andar, e precisa, começou a andar no próprio apartamento, onde ela já sabe a disposição dos móveis e das paredes. Para garantir uma atividade física intensa, conta os passos até os 10 mil. Ufa! Até me cansei só de pensar. Isso é resiliência.

Um outro senhor de 91 anos gostava muito de jogar baralho com os amigos no bar perto de sua casa. Com dificuldade de mobilidade e de lembrar as cartas, desenvolveu a seguinte: fez uma cola em papel com os desenhos dos naipes do baralho, com os nomes e o que significam. Como não tem mais permissão para beber, vai ao bar pede uma cerveja sem álcool e volta para casa feliz por ganhar mais uma partida, enquanto seus companheiros de jogo ficam sem entender como consegue. Dia desses apareceu com uma carta no bolso da calça, mas aí já é outra história. Resiliência.

Sabemos que não é fácil deixar de fazer algo que gosta por uma dificuldade. Sei que não é. Mas se deixar abater também não é saudável. Ser resiliente não é empurrar a dificuldade para debaixo do tapete, mas enfrenta-la de maneira corajosa. Seja resiliente e viva mais e melhor.

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