Nesta quinta-feira 9, Edegar Pretto, até então pré-candidato ao governo do estado pelo PT, jogou a toalha e anunciou apoio a Juliana Brizola. Não foi por falta de tentativa. Pretto resistiu até onde pôde, mobilizou figuras históricas como Olívio Dutra e fez um discurso firme em defesa de sua candidatura. Mas a decisão não foi local. A direção nacional do PT bateu o martelo e impôs o alinhamento ao PDT.
O problema é que política não se resolve apenas por cálculo partidário. Juliana carrega um sobrenome pesado, herdeira de Leonel Brizola, mas isso, por si só, não garante identidade com o campo progressista. Falta-lhe densidade política junto à esquerda e, sobretudo, conexão com a base. Seu histórico de alianças, incluindo proximidade com nomes como Eduardo Leite e Sebastião Melo, levanta dúvidas legítimas sobre seu posicionamento. Não por acaso, o PSOL já sinaliza resistência e pode lançar candidatura própria, aprofundando a fragmentação de um campo que já entra na disputa dividido.
Edegar aceitou, mas isso não significa que o eleitor aceitará. Há uma diferença entre acordos de cúpula e adesão popular. Quando partidos ignoram essa distinção, abrem espaço para o adversário crescer. Enquanto isso, a direita observa e comemora.
