Estava conversando com uma amiga do Face quando ela falou, “Estou olhando pra um jacaré”. Brinquei que jacaré come gente e ela observou, “os jacarés daqui são iguais aos carinhas da cidade, não comem ninguém”. Na hora, me veio a ideia para um conto erótico – na verdade, uma fábula erótica –, mas, em vez de escrever eu mesmo, sugeri que a gente fizesse a quatro mãos. Ela topou. O resultado foi o texto que vocês vão ler a seguir.
Ela abriu a porta e viu um jacaré. Os dois se olharam e o bicho recuou, deu meia volta e foi embora. “Aqui em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, os jacarés são iguais aos homens, não comem ninguém”, pensou com um sorriso. Achou a ideia divertida e postou a frase, mandando-a para alguns amigos. Kkks, corações e beijinhos, e ela foi cuidar de suas coisas, esquecendo o episódio.
Só que a provocaçãozinha chegou ao conhecimento de alguns machos da cidade. E também – não me perguntem como – dos jacarés de Campo Grande.
– Vou comer essa maluca – disse o jacaré chefe da patota. – Ela esqueceu que está cercada de feras?
– Vou comer essa doida, tá ligado? – disse o líder de um grupo de bad boys locais. – Ela tá arranjando treta com nóis? A gente é fera!
Mais tarde, sentada na grama diante de sua casa, ela olha na direção do laguinho e vê alguns rapazes se exercitando, sem camisa. “Uns gatos, mas são uns babacas”, pensa. Ela ali, pronta, só esperando que algum mais ousado se aproxime, e nada… Em sua mente passam mil e uma ideias pecaminosas que com certeza nunca se farão reais, já que os carinhas, muitos deles, pelo menos, parecem gostar da mesma fruta que ela.
Morrendo de tesão, começou a tocar-se, os olhos fechados. Quando os abriu, avistou um enorme jacaré, a uns 6 metros. Não parecia tímido como o anterior; avançava decidido, os dentes à mostra como num sorriso atrevido, complemento das palavras “Vou te comer, gostosa”.
Ela levantou-se com um pulo e saiu correndo em direção aos rapazes junto da lagoa, perseguida pela fera. Lançou-se nos braços do mais próximo e, arquejante, procurou avisar:
– Ja…ja…
-Já tá com tesão, né, vadia? – cortou o rapaz, colando o corpo no dela. – Tô ligado. Eu também, sente como tô no ponto! – Olhou-a com atenção e franziu o rosto. – Tu não é a doida que falou que os machos daqui não comiam ninguém? Prometi a meus mano que ia te arregaçar. Pra tu aprender! – Deu-lhe um tapa no rosto que a fez tremer nas bases, colocou-a de joelhos diante dele e ordenou:
– Capricha no oral. Se morder te cubro de porrada!
Apavorada e com a boca cheia, ela não teve condições de falar mais nada. O chefe dos bad boys foi a única vítima do jacaré, que o cortou ao meio com uma dentada e mergulhou na lagoa com a parte inferior do corpo do carinha. Ela fugiu correndo para longe dali. E nunca, nunca mais falou ou escreveu que os jacarés de Campo Grande são bichinhos inofensivos, adoráveis, umas moças. Vai que eles leem seus posts?
