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Escrever sendo mulher

Escrever, para muitas mulheres, não é apenas atividade intelectual. É também um ato de existência.

Durante séculos, mulheres tiveram menos acesso à educação, à publicação e aos espaços de produção intelectual. Escrever, portanto, sempre foi também ocupar um espaço que historicamente lhes foi negado.

A escritora Virginia Woolf dizia que para uma mulher escrever ela precisava de dinheiro e um quarto próprio. A frase parece simples, mas revela algo profundo: produzir pensamento exige condições materiais e simbólicas.

Quando uma mulher escreve, ela não está apenas produzindo texto. Ela está produzindo memória, análise, interpretação do mundo a partir de sua própria experiência histórica.

Talvez escrever seja uma das formas mais profundas de não desaparecer.

Porque quem escreve deixa marcas. E deixar marcas sempre foi uma forma de existir na história.

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