Notibras

Especulação com aluguel deixa imóveis fechados

Luciana Costa, 38 anos, que nasceu no DF e mora de aluguel em Ceilândia com a mãe desde que sua filha nasceu, em 2016. Ela está desempregada e a única renda que entra na casa vem da aposentadoria da mãe. Foto: Brenda Abreu

São quase 16 mil imóveis desocupados na capital federal, de acordo com o Boletim Imobiliário do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF). Com a recessão, cada vez mais inquilinos entregam as chaves e as unidades ficam vazias, além do fato de o DF ter o terceiro metro quadrado mais caro do país para aluguel. Aqui, o metro quadrado custa em média R$ 29,62, atrás apenas do Rio de Janeiro (R$ 31,24) e São Paulo (R$ 36,64).

O preço do aluguel subiu pelo sexto mês consecutivo em maio deste ano, com em Brasília, que teve o maior aumento (+0,94) dentre quinze cidades brasileiras monitoradas pelo Índice FipeZap. Da mesma forma, o valor dos imóveis residenciais cresceu em 5%, mas apesar disso, as compras no Distrito Federal cresceram 6,3%, segundo o Índice de Velocidade de Vendas (IVV).

Brasília ainda possui o maior percentual do País de residências alugadas. Dos mais de um milhão de domicílios na cidade, 293.738 são alugados, ou seja, 28,2% acima da estatística nacional, que é de 17%. O presidente do Secovi-DF, Ovídio Maia, explica que esse percentual é alto porque o DF possui um perfil diferenciado de moradores, por abrigar a área administrativa federal. “Muitas pessoas que estão aqui vêm para trabalhar, como por exemplo, o assessor de algum deputado, e no período que ficam na região alugam um imóvel, porque suas casas geralmente se localizam na cidade de que vieram”, afirma.

Não é o caso de Luciana Oliveira Costa, 38 anos, que nasceu no DF e mora de aluguel em Ceilândia com a mãe desde que sua filha nasceu, em 2016. Ela está desempregada e a única renda que entra na casa vem da aposentadoria da mãe. “A situação está muito complicada, eu não consigo trabalho porque tenho de cuidar da minha filha pequena. Mas nos finais de semana ainda tento ganhar um dinheiro extra fazendo faxina na casa dos vizinhos”, relata.

Com o sonho de aliviar o bolso da mãe, Luciana tenta receber uma moradia do governo do Distrito Federal. “Do jeito que as coisas estão, não dá pra viver de aluguel. Do dinheiro que temos, grande parte vai para isso, além das despesas da casa”, diz. Como milhares de brasileiros, ela participa do programa habitacional “Habita Brasília”, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (CODHAB-DF) em busca de conseguir a casa própria por um preço acessível. “Temos que lutar por isso, é um direito nosso. Estou há anos aguardando ser chamada. Preciso muito livrar minha família do aluguel, não temos condições”, desabafa.

Sair da versão mobile