A pergunta que se apresenta como título deste texto pode soar como retórica, mas infelizmente, desde o pós-guerra a resposta tem sido repetidamente um sonoro sim. E ela vem a reboque de mais uma agressão internacional, sustentada por mentiras, dos EUA e de Israel contra uma nação soberana, no caso agora o Irã.
Mais uma vez, desrespeitando a norma constitucional dos próprios EUA, ignorando a Carta das Nações e os apelos da ONU, totalmente descredibilizada pelas ações de Trump, e ainda ignorando solenemente a União Europeia, ele, Trump, juntamente com seu comparsa e assassino Netanyahu, lançam o mundo em nova aventura bélica, a única forma de parecerem úteis e, claro, em busca do desvio da atenção de seus concidadãos para a péssima gestão interna em seus países, crise econômica e moral envolvendo pedofilia no caso de Trump, e uma renitente corrupção no caso de Netanyahu. Nada como uma boa diversão para desviar a atenção para o que realmente importa. O trágico é que vidas humanas (muitas) são sacrificadas em prol desta loucura.
E a Europa com isso? Tudo. São inúmeras bases americanas no continente, de onde se podem operar ações contra o Irã, sem deixar de citar os apoios explícitos de países como França, Alemanha e Reino Unido às ações agressivas e criminosas de Trump e Netanyahu. Os mesmos países que vociferam contra a Rússia chamando-a de agressora por conta da Guerra contra a Ucrânia. Portanto, nada de estranho ver ações contra alvos de países europeus, que se vergam aos desejos do belicoso Trump e do genocida Netanyahu, como já ocorreu contra alvos do Reino Unido. É importante ressaltar que a Espanha manteve uma postura altiva e negou a utilização de bases para uso dos EUA, e o Reino Unido, após ter sido alvo de ataques iranianos também recuou quanto à utilização de suas bases, e Portugal oscila entre defender sua soberania e não melindrar os EUA.
Mas o pior será pago pelos cidadãos europeus. O primeiro efeito de uma agressão que tem por finalidade última conter o fluxo de energia para a China, é a imediata elevação abrupta dos preços do petróleo, que impactam a economia mundial, e para a Europa particularmente, a elevação do preço do gás, que já sofreu um aumento superior a 50%, o que certamente terá consequências danosas para o dia a dia das pessoas. Não custa lembrar que após o início da guerra da Rússia na Ucrânia, a vida dos europeus já foi por demais penalizada com o aumento expressivo do custo dos produtos derivado da abrupta elevação do custo da energia . E agora o que se espera é mais um rebatimento nos preços influenciados pelo crescente aumento da preço da energia.
E a Europa mais uma vez pagará o preço de não se portar de forma altiva frente a um líder que não tem o menor respeito pela democracia, pelo direito internacional, pela soberania das nações e pela vida das pessoas, nem sequer do povo norte americano.
Para finalizar, não podemos deixar de listar que o cenário agora pode ser mais desastroso. Embora haja inúmeras vítimas no Irã, inclusive crianças assassinadas pelas mãos dos agressores, Israel já contabiliza mortos e soldados dos EUA voltarão para casa em sacos plásticos. Aguardemos o que Trump dirá frente a isto, e o que a população dos EUA dirá.
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Antonio Eustáquio é correspondente de Notibras na Europa
