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Ex-diretor da Papuda vira réu após MP rever arquivamento

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal aceitou denúncia contra o ex-diretor da Penitenciária do Distrito Federal I (Papuda), Mayk Steve Richter Nobre, que agora figura como réu em processo por assédio sexual e constrangimento ilegal. A decisão ocorre após uma reviravolta no Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), que chegou a pedir o arquivamento do caso em janeiro de 2026.

Inicialmente, a promotoria responsável pelo caso entendeu que não havia provas de coação, justificando que existia uma “relação cordial” e “informalidade recíproca” entre o então diretor e a policial penal subordinada. No entanto, após recurso da vítima, a Câmara de Coordenação e Revisão do MP reverteu o entendimento, apontando que a cordialidade em ambiente hierárquico não anula o assédio e criticando o que chamou de “machismo estrutural” na análise inicial.

Relatos de investidas e intimidação

De acordo com os autos do processo, que tramita em sigilo, as condutas teriam ocorrido entre junho e dezembro de 2025. A denúncia detalha que Nobre teria se valido de sua posição de superioridade para massagear os ombros da vítima sem consentimento e, posteriormente, solicitar fotos íntimas via mensagens.

Em trechos das conversas anexadas, o acusado teria pedido fotos da servidora após o banho para “ajudar numa coisinha aqui”. Mesmo diante de negativas explícitas — com frases como “Para com isso” e “Pelo amor de Deus, homem” —, as investidas teriam continuado. Em depoimento à polícia, o ex-diretor chegou a admitir o teor das conversas e o pedido das imagens.

Assédio moral e perseguição

A acusação aponta que, após as sucessivas rejeições da servidora, o comportamento de Mayk Nobre evoluiu para o assédio moral. O ex-diretor é acusado de:

• Promover humilhações públicas e gritos no ambiente de trabalho;
• Criar obstáculos administrativos para dificultar plantões e folgas da vítima;
• Gerar um ambiente de perseguição que afetou a saúde emocional da policial.

A situação teria provocado, inclusive, boatos no presídio de que a servidora seria “amante” do diretor, prejudicando sua reputação profissional entre os colegas.

Críticas ao arquivamento inicial

A Câmara de Revisão do MP foi enfática ao discordar do primeiro promotor do caso. O colegiado afirmou que o entendimento anterior foi “visivelmente equivocado” ao sugerir que vínculos sociais gerariam dúvida sobre o crime.

“O mais deprimente é que o machismo estrutural reina em todos os setores da sociedade, inclusive no Judiciário e no Ministério Público”, destacou o documento da instância revisora.

Com a nova interpretação, o MP solicitou, além da condenação criminal, uma indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais à vítima.

Posicionamentos

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) informou que afastou o servidor preventivamente assim que tomou conhecimento da ocorrência, em dezembro do ano passado, e instaurou um procedimento administrativo sigiloso para apurar os fatos.

A defesa de Mayk Steve Richter Nobre nega as acusações. Em nota, os advogados afirmaram que as informações divulgadas não refletem a realidade e que, ao longo do processo, a inocência do ex-diretor será reconhecida pela Justiça.

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