A decisão da Comissão de Justiça do Senado de aprovar o fim da aposentadoria compulsória como punição para juízes e membros do Ministério Público marca um momento importante no enfrentamento de distorções históricas do sistema brasileiro. Durante anos, a sociedade assistiu perplexa a agentes públicos cometerem faltas graves e, ainda assim, serem “punidos” com o direito de se afastar recebendo salários integrais. Chamar isso de sanção sempre foi um eufemismo conveniente.
Trata-se, sem dúvida, de uma vitória da sociedade brasileira. Não apenas pelo aspecto simbólico de romper com a cultura de privilégios, mas porque sinaliza uma mudança concreta na forma como o Estado lida com desvios de conduta dentro de suas próprias estruturas. Em qualquer outra profissão, faltas graves podem resultar em demissão e perda de direitos. Não há justificativa razoável para que justamente aqueles responsáveis por aplicar a lei estejam protegidos por um mecanismo tão leniente.
O Brasil já não tolera mais esse tipo de privilégio institucionalizado. A medida aprovada no Senado responde a um sentimento difuso, porém crescente, de indignação com desigualdades dentro do próprio serviço público.
