Após 25 anos de negociações, ontem foi finalmente aprovado o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Um tratado que contou com forte articulação do governo do Brasil e que, em tese, tem como objetivo reforçar o comércio exterior nacional e ampliar a inserção do país nas cadeias globais de valor.
Desde o anúncio, vi muita gente discutindo se o acordo é bom ou ruim para o Brasil. Opiniões não faltam e são as mais diversas possíveis. Uns comemoram, outros desconfiam, alguns rejeitam de imediato. Eu penso que a resposta mais honesta é: depende.
O mercado europeu é rico, maduro e tem um poder aquisitivo muito maior do que o sul-americano. Isso, por si só, representa uma enorme oportunidade. Mas ela não é automática. O acordo só será positivo para o Brasil se nossas cadeias de produção se modernizarem, se houver investimento em tecnologia, produtividade, sustentabilidade, rastreabilidade e se os produtores brasileiros conseguirem se adequar aos rigorosos padrões exigidos pelo mercado europeu.
Caso contrário, corremos o risco de apenas ampliar a exportação de produtos de baixo valor agregado, enquanto importamos bens industrializados, reproduzindo uma velha assimetria que já conhecemos bem. O tratado abre portas, mas não garante o sucesso de ninguém.
No fim das contas, a assinatura do acordo escancarou um leque de oportunidades para o Brasil. O que faremos com isso é outra história. Vai depender de políticas públicas, de estratégia, de apoio à indústria e ao produtor nacional e, claro, da nossa capacidade de planejamento de longo prazo.
Por isso, acho cedo demais para qualquer análise definitiva, seja ela excessivamente otimista ou profundamente pessimista. O acordo está assinado. Agora começa a parte mais difícil: transformar oportunidade em desenvolvimento real.
