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Flávio acena com suas filiais do ‘Posto Ipiranga’

Nesta semana, o pré-candidato Flávio Bolsonaro soltou uma frase que soou menos como proposta e quase como ameaça: “darei continuidade ao que Paulo Guedes começou”. A declaração, que talvez pretendesse sinalizar coerência econômica, acabou evocando lembranças bem concretas de um período recente que ainda pesa na memória e no bolso dos brasileiros. Porque, antes de tudo, é preciso perguntar: continuidade de quê, exatamente?

Paulo Guedes, como se sabe, foi o ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, responsável por uma condução que prometia prosperidade, mas entregou, para muitos, um cotidiano de aperto. Foi sob essa gestão que vimos a explosão dos preços dos alimentos, a ponto de itens básicos se tornarem luxo; o gás de cozinha alcançar valores proibitivos para milhões; a gasolina a quase 10 reais o litro; e cenas indignas, como a chamada “fila do osso”, ganharem espaço na realidade brasileira, como provam os dados de 2022 da Rede Penssan, que indicavam que mais de 33 milhões de brasileiros enfrentavam fome severa durante o governo Bolsonaro, um retrocesso a níveis da década de 1990. Além disso, cerca de 60 milhões viviam com insegurança alimentar moderada a grave.

Se a tal continuidade significa retomar esse conjunto de escolhas e resultados, então a resposta já está dada por quem viveu esse período na pele: não, obrigado. O Brasil precisa olhar para frente, mas sem esquecer o passado recente. E, sobretudo, precisa de propostas que dialoguem com dignidade, justiça social e responsabilidade com a vida real das pessoas, não de promessas que soam como ameaça disfarçada de plano econômico.

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