Já vi cabra experiente do Oiapoque e sujeito amador do Chuí se rendendo à força da taturana, também conhecida por uma carreira de nomes nada simpáticos diante do valor perfunctório que ela tem. Seja lá qual for seu apelido, os técnicos da Nasa, do Kremlin ou das máfias russa e japonesa estudam, estudam, mas não conseguem explicar o poder que a bicha tem. Eles morrerão intrigados. Seu tamanho é inexpressivo, mas, seca ou molhada, clara ou escura, morna ou quente, homem algum está livre do seu alcance. Não incluo na lista de vítimas fatais aqueles que não suportam sequer o cheiro.
Azar o deles. Sobra mais. E com abundância. Silenciosa ou gritante, com ou sem peruca, às vezes é tranquila por demais. Outras, é tão agressiva que chega a assustar os menos viris. Sua prazerosa presença torna irrelevante qualquer análise mais rebuscada a respeito de sua forma de agir. Relevante é o trato que ela merece em lugares dos mais variados. Com todos os riscos e os estragos que a dita cuja pode provocar, importante é estar junto dela. O resto fica por conta de futuras conclusões dos cientistas.
Por enquanto, o que não deve ser questionado é sua utilidade. Alguns também a chamam de trem. Entendo a metáfora, mas não gosto do codinome porque minha locomotiva anda sem o fogo necessário para aquecê-la. E não adianta pingar álcool 70 na madeira. Oca por dentro, a árvore que já deu muitos frutos hoje vive das lembranças das boas e inesquecíveis toras que atiçavam o trem na calada da noite. Velho ou novo, o homem tem de tomar todo tipo de cuidado com o primeiro contato. Toque na toca, pode. Entretanto, se ajoelhar tem de rezar.
Aliás, sugiro sempre aos desavisados que uma novena não faz mal a ninguém, principalmente se o sujeito penetrante estiver descalçado. Aí, o risco de ficar liso é deveras preocupante. Dizem as boas e frenéticas línguas, que a bicha não perdoa deslizes, ainda que temporários. Sem arrudeios e com fama de acumuladora, ela invoca a fada mitológica asturiana conhecida por xana e, sem dó e nem piedade, engole cartão de crédito, come terra produtiva, fazendas, apartamentos, casas de veraneio, poupanças previdenciárias e até minguadas aposentadorias do INSS.
Como onde há João também há José, as más línguas não escondem que a preferência das pititicas são os chamados homens públicos, os quais, recheados de integridade, probidade e acima de qualquer suspeita, não se incomodam em gastar o que não é deles. E, livres, leves e fagueiros, soltam a rodo e ainda aproveitam a suíte para levadas de punhobol e experimentos viciantes e pouco recomendáveis com a eletricidade advinda ou decorrente do dedo médio. Em lugares menos convencionais, o nome disso também pode ser fio terra. Normal ou anormal, tô fora dessa prática. Prefiro o risco da mulher barbada.
O melhor dessa história é que, pequeno, médio ou grande, a prole é sempre bem recebida e muito elogiada. Cientistas sem especialização no negócio tentaram, por meio de um ensaio cabuloso, informar ao mundo que cavucar com frequência na abelha rainha pode matá-la lentamente. Por isso, recomendo usar diariamente o zangão para não morrermos de repente. Não é uma determinação. Afinal, cada um que encaixe sua balaclava até onde a pitica suportar. Aqueles que agem diferente, isto é, fogem da taturana, devem ser enquadrados na definição dos mais velhos sobre os que se entopem de croquetes: Fulano está cheio de bichas.
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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras
