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Gest(ap)o de Donald Trump é inaceitável

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em suas redes sociais um vídeo em que retrata o casal Barack Obama e Michelle Obama como macacos. Trata-se de racismo escancarado. Um gesto repugnante, escandaloso e absolutamente incompatível com a responsabilidade que se espera de alguém que ocupa o cargo mais importante de um país.

Comparar pessoas negras a macacos é uma das formas mais antigas e violentas de desumanização racial. É um recurso histórico usado para justificar exclusão, segregação e violência. Quando esse tipo de conteúdo parte de um chefe de Estado, o problema deixa de ser apenas moral, torna-se político, institucional e simbólico.

Trump apagou o vídeo depois da repercussão, mas se recusou a pedir desculpas. O gesto de remover a postagem sem reconhecer o erro não repara o dano. Ao contrário: sinaliza que o constrangimento foi estratégico, não ético.

No Brasil, há poucas semanas, uma turista argentina foi presa após imitar um macaco para ofender um funcionário do comércio. Foi enquadrada por crime de racismo e precisou usar tornozeleira eletrônica. O caso repercutiu também na Argentina, onde houve quem considerasse a medida exagerada. Mas é exatamente nesses momentos que sinto certo orgulho do Brasil.

É evidente que nosso país ainda carrega marcas profundas do racismo estrutural. Temos um longo caminho a percorrer para eliminar a desigualdade racial das nossas relações sociais. No entanto, há um ponto civilizatório importante: aqui, racismo é crime. A Constituição e a legislação brasileira não tratam o tema como opinião, mas como violação grave de direitos.

Quando uma sociedade reage com prisão, com indignação pública, com responsabilização, ela envia uma mensagem clara: há limites. E esses limites existem para proteger a dignidade humana.

O mundo precisa decidir se vai continuar tratando manifestações racistas como “polêmicas” ou se vai reconhecê-las pelo que são: ataques à própria ideia de igualdade. Nesse ponto específico, apesar de todas as nossas contradições, o Brasil demonstrou que não está disposto a fingir que não viu.

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