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Grandes mentes-colmeia construídas em grupos

Imagine um grupo de pessoas pensando, sentindo e fazendo coisas na mesma “vibe”, repetidamente, por muito tempo. Quando isso acontece, essa “vibe” começa a ganhar uma certa coerência e continuidade, pois não depende mais só de uma pessoa. Ela adquire uma espécie de “personalidade própria”. Muita gente chama esse fenômeno de mente-colmeia. Inspirado em insetos sociais como as abelhas e as formigas, o grupo funciona como um superorganismo.

Uma egrégora é uma forma de “mente-colmeia” feita de pensamentos, emoções e intenções de um grupo. Ela não é, necessariamente, um “espírito” no sentido tradicional, nem um “deus” pronto e acabado. Está mais para um “campo de consciência compartilhado”. Podemos dizer que uma egrégora é mental e real ao mesmo tempo. É mental porque é feita de consciência, pensamento e emoção. É real porque atua, molda comportamentos, cria movimentos históricos e, em algumas linhas, existe como forma-energia objetiva no plano sutil. Tudo isso simultaneamente! Ao entrar nela, você começa a ser influenciado, porém a influencia em menor escala.

Nós já vivemos, provavelmente sem saber, vários tipos de egrégoras na vida. Agora me conte: numa torcida de futebol, em que você e todo mundo gritam igual, xingam igual, vibram igual… você se sente mais corajoso, mais agressivo ou mais eufórico que o “normal”? Se sim, bem-vindo: você está ligado à egrégora do time. Os exemplos são abundantes. Pense no ambiente de trabalho do tipo empresa “família”, empresa “tóxica” ou empresa de “motivação forçada”, no qual, mesmo quando muda metade do time, a vibe geral continua parecida. Por que será?

Isso é o “campo mental/emocional” que já está ali, alimentado por anos. Da mesma forma, há a “religião de família” que, mesmo que você a deixe formalmente, às vezes ainda faz você sentir culpa, medo ou a sensação de estar sendo “observado”. Parte disso são questões emocionais e psicológicas individuais; a outra parte é o peso da “egrégora religiosa” que você frequentou.

O novo exemplo de egrégora, na versão internet, são as comunidades online, onde muita gente está obcecada pela mesma coisa, usando os mesmos memes, as mesmas gírias e reagindo de forma semelhante aos “inimigos”. Como uma egrégora surge a partir de vários comportamentos e intenções, na internet esse fenômeno é exponencialmente abrangente. Olhe só este exemplo: a “vibe” dos cantos e motivações comuns vistos em rituais, cultos, reuniões, torcidas etc. é formada por pessoas focando na mesma coisa, com o mesmo sentimento, repetidamente. Da mesma forma, isso ocorre com o compartilhamento de símbolos, como bandeiras, brasões, missões e mitos.

Com o passar do tempo, esse pacote todo cria uma bolha: quem entra ali começa a pensar e sentir de um jeito que “combina” com aquele lugar, e quem não está passa a ser visto como um “inimigo potencial”. De um ponto de vista mais “psicológico”, uma egrégora se assemelha a um “campo psíquico coletivo”, formado por um conjunto de crenças e pelas emoções que influenciam quem entra naquele grupo. Você o percebe como pressão para se comportar de certo jeito, como culpa ou medo quando pensa diferente e como entusiasmo quando está em sintonia.

Pela ótica “ocultista”, a egrégora é tratada quase como uma “entidade coletiva”, com a qual é possível se conectar, conversar, pedir ajuda, perceber e receber “respostas” simbólicas (sonhos, sincronicidades, insights). Se você é mais cético, chama de “inconsciente coletivo mais pressão social”. Se é mais místico, chama de “espírito do grupo”. Mas, na prática, o efeito é muito parecido. Em um contexto mágico/religioso, você sonha com símbolos do grupo, relata sincronicidades ligadas àquela tradição, além da sensação de “presença” quando faz práticas ligadas ao grupo, mesmo sozinho. Você pode escolher conscientemente em quais egrégoras, tradições e grupos vai se conectar. No início, as sensações de pertencimento são iguais em qualquer egrégora, e pertencimento é fundamental para o ser humano. Pode ser aí que se esconda a grande armadilha.

Existem egrégoras saudáveis e não saudáveis. Você percebe que entrou em uma egrégora pouco saudável quando começa a “pensar e falar igual” ao grupo e, sem perceber, coisas que antes pareciam absurdas passam a ser vistas como “normais”. Você sente culpa ou angústia só de cogitar ir contra o fluxo. Parece que “tudo conspira” para você ficar mais envolvido. Pessoas de fora do seu grupo estranham seu comportamento, mas, dentro, todo mundo acha lindo; o que, em geral, não é um bom sinal. Mas, quando uma egrégora se conduz de forma ética e moral, inclusiva e fraterna, ela é extremamente útil. Você entra em um caminho que já tem gente trilhando há muito tempo. Toda aquela atenção, devoção e energia já abrem um caminho psíquico mais “fácil”.

O sentimento de pertencimento a algo maior e humano pode tornar-se uma espécie de “suporte emocional”, auxiliando no desenvolvimento da disciplina, da fé/confiança e da sensação de proteção. Às vezes, a egrégora parece “puxá-lo” para certos temas e, de repente, os livros aparecem, pessoas surgem e eventos o empurram a trabalhar esses temas. Não é magia instantânea. É como pegar carona em um trem em movimento, em vez de sair abrindo trilha na mata sozinho. É aprender a usar a força dessas egrégoras para estudar, ter disciplina e crescer individualmente e em grupo. Se essa egrégora mantém seu sagrado direito de escolha; o direito de sair quando ela deixa de fazer sentido, de observar, ter senso analítico e crítico e seguir princípios éticos e morais para com a humanidade; ela é uma opção segura para o seu crescimento como pessoa e como ocultista.

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Marco Mammoli, Mestre Conselheiro e membro do conselho do Colégio de Magos e Sacerdotisas. Você pode entrar em contato com o Colégio dos Magos e Sacerdotisas através da Bio, Direct e o Whatsapp: 81 997302139.

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