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Idosa de Brasília é presa por injúria racial em Salvador

Uma moradora do Distrito Federal, identificada como Maria Cândida Villela Cruz, de 74 anos, foi presa em flagrante na última terça-feira (21) sob a acusação de injúria racial. O episódio ocorreu em Salvador, na Bahia, onde a idosa passava férias, após ela proferir ofensas discriminatórias contra um policial militar negro que estava em serviço.

O caso foi registrado no bairro do Rio Vermelho, uma das regiões turísticas mais movimentadas da capital baiana. A confusão começou quando a mulher abordou uma equipe da Polícia Militar que realizava o patrulhamento de rotina durante um evento musical que acontecia na localidade.

De acordo com o relato dos policiais envolvidos, Maria Cândida questionou inicialmente o uso de armamento pelos agentes. Após receber as explicações padrão sobre os equipamentos de segurança, a idosa mudou o tom da conversa e passou a desferir ataques verbais de cunho racial contra um dos militares.

Testemunhas e os próprios agentes relataram que a mulher afirmou categoricamente ser “superior ao policial por causa de sua raça”. A agressividade verbal escalou rapidamente, chamando a atenção de pessoas que transitavam pelo local no momento da abordagem.

Em um vídeo gravado logo após o início do conflito, Maria Cândida aparece em um estado de exaltação, chegando a desafiar a autoridade policial. Nas imagens, ela afirma que, se estivesse armada, “iria lutar” contra a equipe, demonstrando uma postura de confronto direto com os servidores.

Além das ofensas individuais, a idosa teria feito generalizações geográficas preconceituosas. Segundo o registro da ocorrência, ela declarou que, em Brasília, de onde veio, “só tem branco”, enquanto em Salvador, cidade onde estava a passeio, “só tem preto”.

Diante da gravidade das declarações e da caracterização do crime de injúria racial, Maria Cândida recebeu voz de prisão ainda no local. Ela foi conduzida inicialmente para a Delegacia dos Barris para o registro da ocorrência e, posteriormente, transferida para a Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati).

O caso tomou novos rumos jurídicos nesta quarta-feira (22), quando o Ministério Público da Bahia (MPBA) se manifestou sobre a custódia da idosa. O órgão emitiu um parecer favorável à concessão de liberdade provisória para a moradora do Distrito Federal.

Na fundamentação do pedido, o Ministério Público argumentou que a manutenção da prisão preventiva seria uma medida desproporcional. A justificativa principal reside no histórico de saúde da investigada, que apresentaria evidências de transtornos psicológicos prévios.

O parecer do MP aponta que existe um “histórico comprovado de adoecimento mental” por parte de Maria Cândida. Por esse motivo, os promotores acreditam que o ambiente prisional não seria o local adequado para o tratamento e contenção da idosa neste momento.

Como desdobramento da análise jurídica, o Ministério Público também solicitou formalmente a instauração de um incidente de insanidade mental. Esse procedimento técnico busca avaliar se a mulher tinha plena capacidade de entender o caráter ilícito de seus atos no momento do crime.

Até que o exame pericial seja concluído e a Justiça decida sobre a liberdade definitiva, a idosa permanece à disposição das autoridades baianas. O caso reforça o debate sobre o cumprimento da legislação contra o racismo e os limites da responsabilidade penal em casos de saúde mental comprometida.

Assista ao vídeo no Instagram:

https://www.instagram.com/reel/DXbuXhNDeCE/?igsh=a2l5MnRkamh0eDZ0

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