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Indicado versus indiciado

Lendo notícias sobre pedido de assistência espiritual na prisão para o presidente da gestão 2019-2022, andei preparando aulas de vocabulário.

A primeira que me ocorreu foi sobre a diferença entre bispo indicado e bispo indiciado.

O bispo indicado seria um especialista para atender “mimizentos”: um ouvinte de plantão para lamúrias, queixas, dores de corno, acusações estapafúrdias e calúnias em geral.

As visitas do bispo à cela do Mimizento gerariam manchetes de jornais tais como:
(Edna Domenica)

“Bispo indicado socorrerá Bolsonaro na prisão”

“Bispo quer fortalecer valores de ex-presidente”

“Bispo para exorcizar demônios de Jair”

“Bolsonaro, terminal, pede socorro espiritual”

As palavras e os sentidos! É preciso dar o nome exato e a palavra correta aos fatos reais.

Tracemos um paralelo recente com o episódio Trump-Venezuela.

A grande mídia logo tratou de qualificar a INVASÃO ILEGAL como “gerenciamento policial para prender o Ditador Maduro”. Não. Houve, sim, a invasão de um país com soberania plena; ação autoritária de intervenção armada – e estrangulamento econômico – dos EUA determinada por Trump para SEQUESTRAR o presidente da Venezuela.

A grande mídia estampou manchetes do tipo “Ação para CAPTURAR Ditador”. A palavra é SEQUESTRAR.

De fato, não existe “indiciamento e ação de captura de um cidadão estrangeiro em seu próprio país”.

Voltemos, pois, à questão do bispo indicado e/ou o bispo indiciado no atual imbróglio Bolsonaro cumprindo 27 anos de cana dura na Papudinha federal, em Brasília.
(Gilberto Motta)

— Sr bispo Fulano de Tal, o que vai orientar ao filho que fotografou o pai só de cueca?

— Eleitores e eleitoras irão votar no bumbum mais presidenciável?

— Leitores e leitoras, consideram as questões aqui indicadas como indícios de que o personalismo destrói a capacidade cognitiva dos cidadãos?
(Edna Domenica)

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Edna Domenica é cronista e poetisa. Seus escritos perpassam por interferir na guerra semiótica pela conscientização de determinados vocábulos expostos em redes sociais e TV, principalmente, daqueles que se referem ao racismo, à misoginia, ao negacionismo, ao machismo e outras expressões do autoritarismo e do pensamento hegemônico.

Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador documentarista audiovisual e de redes sociais. Criador da coluna digital “Deu no poste e na internet”. Escreve diariamente no Café Literário Notibras. Vive na Guarda do Embaú, litoral de SC.

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