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Irã endurece discurso e ameaça ampliar guerra

Em sua primeira manifestação pública desde que assumiu o posto de Líder Supremo da República Islâmica, após a morte de seu pai, Mojtaba Khamenei adotou nesta quinta-feira, 12, um tom de forte confrontação e afirmou que o Irã não abrirá mão do que chamou de “direito inegociável” de vingar o sangue de seus mártires mortos na guerra contra Estados Unidos e Israel.

“Asseguro a todos que não renunciaremos a vingar o sangue de seus mártires”, declarou Mojtaba, em discurso transmitido por meios oficiais iranianos. Segundo ele, a resposta de Teerã não se limita à morte de Ali Khamenei, morto nos primeiros ataques do conflito, mas se estende a cada iraniano atingido pelos bombardeios inimigos. “A vingança que almejamos não se limita ao martírio do Grande Líder da Revolução; cada membro da nação martirizado pelo inimigo constitui um caso à parte para vingança”, afirmou.

O novo líder iraniano acrescentou que parte dessa resposta já começou a se materializar militarmente, mas deixou claro que, para Teerã, a operação retaliatória ainda está longe do fim. “Uma parte limitada dessa vingança já tomou forma concreta, porém enquanto não for levada adiante em sua totalidade, essa questão permanecerá acima de todas as outras”, disse, ao mencionar também o bombardeio contra uma escola feminina em Minab, episódio usado pelo regime como símbolo de mobilização nacional. “Seremos particularmente sensíveis ao sangue de nossas crianças e bebês”, completou.

Além do discurso emocional, Mojtaba introduziu um elemento de grande preocupação internacional: a possibilidade de usar o Estreito de Ormuz como instrumento direto de guerra. O bloqueio da passagem marítima — por onde circula parcela expressiva do petróleo mundial — voltou a ser citado como mecanismo de pressão estratégica, elevando o temor de impacto imediato sobre energia, fretes marítimos e mercados globais.

O novo Líder Supremo também lançou advertência direta aos países árabes do Golfo, afirmando que qualquer apoio logístico aos Estados Unidos poderá transformar esses territórios em alvos militares iranianos. Segundo ele, bases militares instaladas na região e colocadas à disposição de Washington passariam automaticamente a integrar o teatro de guerra.

“Os Estados do Golfo devem esclarecer sua posição em relação aos agressores de nossa amada pátria e aos assassinos de nosso povo”, afirmou. “Recomendo que fechem essas bases o mais rápido possível, porque precisam compreender que as promessas americanas de segurança e paz não passam de mentira.”

A declaração amplia a tensão sobre países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Catar, onde há presença militar ocidental e estruturas sensíveis para operações aéreas e navais. Analistas internacionais avaliam que o discurso de Mojtaba confirma uma linha ainda mais rígida que a de seu pai, sugerindo que o novo comando iraniano pretende sustentar o conflito em múltiplas frentes, combinando retaliação militar, pressão energética e intimidação diplomática.

No ambiente internacional, a fala foi recebida como sinal de que a guerra entra em nova etapa: menos simbólica, mais direta, e com potencial de arrastar toda a arquitetura estratégica do Golfo para um confronto de consequências imprevisíveis.

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