Notibras

Jim

Jim, sorumbático, caminhava junto ao cais.

De cabelos ao vento, a sua mente voava à medida que sentia o movimento perpétuo das coisas.

As pessoas, os automóveis, os navios, o som das águas junto ao cais impressionavam-no como se vivessem dentro dele.

Jim queria ser como as estrelas de rock que ouvia obsessivamente, e cantava, cantava, fechando os olhos e abanando a cabeça:

“Sex and drugs and rock and roll!”

Pelas ruas junto ao cais ia assim pensando, em coisas como dentes de leão voando com o vento, quando de repente viu, sob a saia vermelha de uma rapariga, duas pernas insinuantes.

Jim sentiu um impulso forte de gozos rápidos, vermelhos e quentes, que lhe inundaram a mente e todos os seus desejos.

Jim inflamou-se de um desejo tão forte que não pode ceder.

Então, a rapariga, de baton insinuante, fala estas palavras que saíram grossas dos seus lábios como um visco de fogo:

“Queres vir?”

Jim acedeu.

Entraram numa casa velha, por entre teias de aranha e um ranger de dobradiças nas portas. Subiram as escadas.

Jim ia aflito, queria ter logo a sua ‘pequena morte’.

No fim, os corpos tinham um odor a usado e a água impura.

Jim pergunta a rapariga:

“Como te chamas?”

“Luxúria.”

Pelas ruas junto ao cais Jim ia assim pensando, em coisas como dentes de leão voando com o vento, quando de repente viu, sob a saia vermelha de uma rapariga, duas pernas insinuantes.

Jim sentiu um impulso forte de gozos rápidos, vermelhos e quentes, que lhe inundaram a mente e todos os seus desejos.

Jim inflamou-se de um desejo tão forte que não pode ceder.

Então a rapariga, de baton insinuante, fala estas palavras que saíram grossas dos seus lábios como um visco de fogo:

“Queres vir?”

Jim acedeu.

Entraram numa casa velha, por entre teias de aranha e um ranger de dobradiças nas portas. Subiram as escadas.

Jim ia aflito, queria ter logo a sua ‘pequena morte’.

No fim, os corpos tinham um odor a usado e a água impura.

Jim pergunta a rapariga:

“Como te chamas?”

“Ira.”

Pelas ruas junto ao cais Jim ia assim pensando, em coisas como dentes de leão voando com o vento, quando de repente viu, sob a saia vermelha de uma rapariga, duas pernas insinuantes.

Jim sentiu um impulso forte de gozos rápidos, vermelhos e quentes, que lhe inundaram a mente e todos os seus desejos.

Jim inflamou-se de um desejo tão forte que não pode ceder.

Então a rapariga, de baton insinuante, fala estas palavras que saíram grossas dos seus lábios como um visco de fogo:

“Queres vir?”

Jim acedeu.

Entraram numa casa velha, por entre teias de aranha e um ranger de dobradiças nas portas. Subiram as escadas.

Jim ia aflito, queria ter logo a sua ‘pequena morte’.

No fim, os corpos tinham um odor a usado e a água impura.

Jim pergunta a rapariga:

“Como te chamas?”

“Gula.”

Pelas ruas junto ao cais Jim ia assim pensando, em coisas como dentes de leão voando com o vento, quando de repente viu, sob a saia vermelha de uma rapariga, duas pernas insinuantes.

Jim sentiu um impulso forte de gozos rápidos, vermelhos e quentes, que lhe inundaram a mente e todos os seus desejos.

Jim inflamou-se de um desejo tão forte que não pode ceder.

Então a rapariga, de baton insinuante, fala estas palavras que saíram grossas dos seus lábios como um visco de fogo:

“Queres vir?”

Jim acedeu.

Entraram numa casa velha, por entre teias de aranha e um ranger de dobradiças nas portas. Subiram as escadas. Jim ia aflito, queria ter logo a sua ‘pequena morte’.

No fim, os corpos tinham um odor a usado e a água impura.

Jim pergunta a rapariga:

“Como te chamas?”

“Avareza.”

Pelas ruas junto ao cais Jim ia assim pensando, em coisas como dentes de leão voando com o vento, quando de repente viu, sob a saia vermelha de uma rapariga, duas pernas insinuantes.

Jim sentiu um impulso forte de gozos rápidos, vermelhos e quentes, que lhe inundaram a mente e todos os seus desejos.

Jim inflamou-se de um desejo tão forte que não pode ceder.

Então a rapariga, de baton insinuante, fala estas palavras que saíram grossas dos seus lábios como um visco de fogo:

“Queres vir?”

Jim acedeu.

Entraram numa casa velha, por entre teias de aranha e um ranger de dobradiças nas portas. Subiram as escadas.

Jim ia aflito, queria ter logo a sua ‘pequena morte’.

No fim, os corpos tinham um odor a usado e a água impura.

Jim pergunta a rapariga:

“Como te chamas?”

“Inveja.”

Pelas ruas junto ao cais Jim ia assim pensando, em coisas como dentes de leão voando com o vento, quando de repente viu, sob a saia vermelha de uma rapariga, duas pernas insinuantes.

Jim sentiu um impulso forte de gozos rápidos, vermelhos e quentes, que lhe inundaram a mente e todos os seus desejos.

Jim inflamou-se de um desejo tão forte que não pode ceder.

Então a rapariga, de baton insinuante, fala estas palavras que saíram grossas dos seus lábios como um visco de fogo:

“Queres vir?”

Jim acedeu.

Entraram numa casa velha, por entre teias de aranha e um ranger de dobradiças nas portas. Subiram as escadas.

Jim ia aflito, queria ter logo a sua ‘pequena morte’.

No fim, os corpos tinham um odor a usado e a água impura.

Jim pergunta a rapariga:

“Como te chamas?”

“Preguiça.”

Pelas ruas junto ao cais Jim ia assim pensando, em coisas como dentes de leão voando com o vento, quando de repente viu, sob a saia vermelha de uma rapariga, duas pernas insinuantes.

Jim sentiu um impulso forte de gozos rápidos, vermelhos e quentes, que lhe inundaram a mente e todos os seus desejos.

Jim inflamou-se de um desejo tão forte que não pode ceder.

Então a rapariga, de baton insinuante, fala estas palavras que saíram grossas dos seus lábios como um visco de fogo:

“Queres vir?”

Jim acedeu.

Entraram numa casa velha, por entre teias de aranha e um ranger de dobradiças nas portas. Subiram as escadas.

Jim ia aflito, queria ter logo a sua ‘pequena morte’.

No fim, os corpos tinham um odor a usado e a água impura.

Jim pergunta a rapariga:

“Como te chamas?”

“Vaidade.”

Jim sentiu-se cansado.

Parecia doente, fraco, quase morto.

Ao fim do dia foi-se deitar na cama que fez.

A cama estava toda mal feita, os lençóis desalinhados, o colchão rangia e a luz era pobre naquele quarto escurecido.

Jim adormece lentamente, como quem come demasiado açúcar, e, de repente, entra docemente numa bola de luz que o envolve.

Lentamente a bola de luz cresce e Jim sente-se levitar.

De dentro da bola de luz Jim ouve uma voz doce que lhe diz:

“Jim… Jim… Jim…

Olha a tua futura vida:”

Jim olhou para uma pequena tela branca onde, lentamente, um filme aparecia:

Nascia um bebé. Os pais eram pobres e feios. Ouvia-se uma linguagem torpe de gente mal educada. O pai tinha amantes e a mãe bebia. O bebé cresceu e agora era um adolescente que estava numa cadeira de rodas, movimentando o corpo de um lado para o outro com a língua de fora. Dizia coisas que ninguém entendia. Os anos passavam e o adolescente tornou-se num adulto insuportável, o pai e a mãe desprezavam-no, ele existia num quarto escuro, sozinho, abandonado por todos, dizendo coisas indecifráveis sentado numa cadeira de rodas…

A voz doce continuou:

“Jim… Jim… Jim…

Olha a solução:”

Jim olhou para uma pequena tela branca onde, lentamente, um novo filme aparecia:

Jim via-se a si mesmo.

Estava a passear no cais de cabelos ao vento.

Jim metia a mão ao bolso e tirava algumas notas.

Dirigia-se às mulheres vestidas de vermelho e dava-lhes algumas notas, o mesmo valor que lhes pagara antes, mas agora sem tocar nos seus corpos.

Juntamente com as notas estava um pequeno papel com a pintura da Virgem que Jim segurava com os dedos e entregava às mãos das mulheres.

Jim dizia para as mulheres vestidas de vermelho:

“Que nossa Senhora te proteja!”

Jim viu outra cena.

Desta vez estava perto da mulher vestida de vermelho chamada Luxúria.

Dizia-lhe: faz jejum Luxúria, torna-te casta!

Jim viu outra cena.

Desta vez estava perto da mulher vestida de vermelho chamada Ira.

Dizia-lhe: faz jejum Ira, torna-te afável!

Jim viu outra cena.

Desta vez estava perto da mulher de vermelho chamada Gula.

Dizia-lhe: faz jejum Gula, come frugalmente!

Jim viu outra cena.

Desta vez estava perto da mulher de vermelho chamada Avareza.

Dizia-lhe: faz jejum Avareza, reparte os teus bens pelos mais pobres!

Jim viu outra cena.

Desta vez estava perto da mulher de vermelho chamada Inveja.

Dizia-lhe: faz jejum Inveja, fica feliz com a sorte dos outros!

Jim viu outra cena.

Desta vez estava perto da mulher de vermelho chamada Preguiça.

Dizia-lhe: faz jejum Preguiça, trabalha afincadamente num modo de vida bom!

Jim viu outra cena.

Desta vez estava perto da mulher de vermelho chamada Vaidade.

Dizia-lhe: faz jejum Vaidade, sê sempre humilde, sê a serva de toda a gente!…”

Jim acordou na cama, suava como se tivesse vindo de um inferno vermelho.

Era manhã, o sol nascia novamente.

Jim veste-se rápido e sai de casa.

Jim tez tudo o que a voz lhe disse.

Cada cena que viu no dia anterior foi cumprida na íntegra no mundo físico.

Passaram-se três dias.

Ao terceiro dia, quando o sol estava no meio-dia, Jim sentiu-se cheio de saúde.

Sorria ao sol agora de cabelos ao vento como um leãozinho em pleno Agosto olhando os campos de trigo.

Foi até à casa da mãe que morava depois do cais.

Ao chegar ouve a mãe chamar pelo seu nome:

“Jim!”

E o seu nome era a música mais deliciosa do mundo, de todos os sons do universo, o seu nome era o mais belo, porque lhe fazia recordar o aconchego junto a sua mãe no lar, à lareira, comendo bem e vendo a lua da janela.

“Jim anda comer!”

E Jim sentou-se à mesa com a mãe, junto à lareira, ouvindo os violinos que saiam do rádio.

A casa da mãe de Jim era confortável como um pequeno berço balançando.

“Gosto muito de ti Jimmy!” – disse a mãe afagando os cabelos do filho.

Jim ficou tão contente que verteu uma lágrima.

Nessa lágrima que escorreu do seu olho estava a imagem do cais e das mulheres vestidas de vermelho colocando notas nas carteiras.

Via-as a saírem do cais, da casa velha segurando nos dedos as imagens da Virgem num pequeno papel.

Elas iam em direção a um lugar religioso.

De repente, Jim olhou para um jornal que estava em cima da mesa e viu a seguinte notícia:

“Sete novas irmãs da caridade foram admitidas no convento de Santo Inácio.”

E Jim viu que era bom…

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