Egrégoras também têm efeitos bem chatos e até desagradáveis quando desenvolvem o “comportamento e pensamento de manada”. Nesse momento, você passa a confundir aquilo que realmente pensa com “o que o grupo espera que você sinta/pense”. Da mesma forma, quando se estimula o fanatismo e a guerra de egos, afirmando que “meu sistema é o verdadeiro, o resto é ilusão/treva/egum obsessor”. Nesses casos, é a egrégora que está puxando você para defender território. Caso você pense em se afastar, vão lhe introjetar culpas, medos de punição e a sensação de que “vai dar tudo errado” se sair.
Geralmente, nesses ambientes, com muita energia emocional exacerbada, é comum o aparecimento de “parasitas psíquicos”, que são aqueles que manipulam o grupo para ganho pessoal ou se comportam com padrões neuróticos que se alimentam de medo, culpa e dependência. Em uma linguagem mais “mística”, é comum o uso de expressões como: “egrégora vampírica”, “campo pesado” ou “espíritos oportunistas” que surfam naquela energia, entre outras. Poderíamos dizer que a estrutura do grupo é composta por estruturas mentais desorganizadas ou feridas que geram um ambiente tóxico. Não importa se o ambiente é virtual ou não.
Para não virar refém, existem algumas estratégias simples de serem implantadas. Vamos lá! Mantenha um “espaço mental neutro”, como: meditação sem símbolo, caminhada sem estímulo auditivo (do tipo áudio-aula) e um tempo só seu, sem leitura nem ritual. Seria como sair da festa um pouco para respirar ar puro. Desenvolva uma análise crítica periódica sobre sua vivência e experiência nessa egrégora. Avalie se seu aprendizado está de acordo com seus valores. Evite fundir-se 100% com um rótulo. Lembre-se de que rótulo é ferramenta, não identidade inteira. De tempos em tempos, tenha contato com visões diferentes, leia, converse e visite outros espaços de pensamento. Agora, atenção: não é para virar colecionador de egrégora; é só para não atrofiar o senso crítico. Por fim, perceba o tipo de emoção dominante no grupo e nas reuniões. Se o grupo vive com medo, paranoia, superioridade espiritual, fofoca e ataques a “inimigos” etc., tenha cuidado com esses comportamentos. Provavelmente, essa egrégora está doente.
É possível criar uma egrégora do zero. Muitas ordens/grupos fazem isso conscientemente. Numa versão simples, inicia-se definindo o propósito do grupo. Mas não deve ser “qualquer coisa”: por exemplo, proteção do grupo, estudo conjunto, cura, prosperidade mútua. Depois, criam-se os símbolos, o nome, o sigilo, a imagem, a cor e a frase de poder. Isso vira o “rosto” da egrégora. A ritualização deve ser frequente, seguindo datas astrológicas e climáticas, por exemplo, com reuniões, práticas, oferendas simbólicas e meditações conjuntas, sempre chamando o mesmo grupo. Manter a coerência é fundamental: seguir o propósito, a linha de estudo e os objetivos etc. Tudo deve ser harmônico e aceito por todos. Com o tempo, o grupo começa a sentir que a egrégora está “respondendo”. Percebe-se uma “presença” quando se a invoca, e certos padrões de sonho/insights se repetem entre os membros.
Hoje, há egrégoras de servidor/entidade criadas em fórum, “corrente X do TikTok”, “magistas do servidor Y do Discord” e por aí vai. O princípio é o mesmo: só se troca o templo físico pelo servidor. Portanto, tenha cuidados extras, pois o anonimato facilita o abuso e a manipulação emocional. Ele também facilita exponencialmente a fofoca, o drama e o cancelamento, que alimentam o campo. E, quanto mais intenso o emocional, mais rápido a egrégora cresce (para o bem e para o mal). Investigue quem são seus membros.
Em resumo, para usar a seu favor, você pode e deve escolher conscientemente em quais egrégoras se plugar, analisando as tradições e grupos a que essa egrégora pertence ou de que participa, até certos “climas” de internet. Ao escolhê-las, aproveite a força e as propostas para estudo, disciplina e magia de grupo. E, ao mesmo tempo, mantenha-se atento e observador, desenvolva senso analítico e crítico e exerça a liberdade de sair, se aquilo não fizer mais sentido
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Marco Mammoli, Mestre Conselheiro e membro do conselho do Colégio de Magos e Sacerdotisas. Você pode entrar em contato com o Colégio dos Magos e Sacerdotisas através da Bio, Direct e o Whatsapp: 81 997302139.
