Um novo laudo médico, encomendado pela família de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, aponta que a causa da morte do adolescente foram os golpes diretos desferidos por Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos. O documento contesta a hipótese inicial de que o óbito teria sido provocado pelo impacto da cabeça da vítima contra um veículo durante a briga, ocorrida em janeiro de 2026.
Assinado pelo neurocirurgião Fábio Teixeira Giovanetti Pontes, o parecer técnico foi juntado ao processo nesta semana. A análise detalha que as fraturas cranianas identificadas no jovem são incompatíveis com uma queda ou batida acidental, apresentando características de “trauma de golpe direto” por agressões repetidas e de alta intensidade.
De acordo com o especialista, todas as lesões fatais concentram-se no lado esquerdo da cabeça de Rodrigo. As imagens do confronto mostram que Pedro Turra desferiu múltiplos socos justamente nessa região, enquanto o impacto do adolescente contra a porta do carro teria ocorrido no lado direito, reforçando a tese de que o veículo não foi o agente causador do óbito.
O laudo também traz uma revelação técnica sobre a força necessária para romper o crânio humano. Segundo o médico, estudos indicam a necessidade de uma pressão de até 53 kgf/cm² para gerar uma fratura linear, força que é compatível com socos humanos potentes, mas que geralmente deixaria sequelas nas mãos do próprio agressor.
Este ponto levanta a principal suspeita da acusação: o uso de um soco inglês. O exame de corpo de delito realizado em Pedro Turra logo após o crime não identificou lesões, cortes ou inchaços em suas mãos ou punhos, o que o neurocirurgião classifica como “atípico” diante da gravidade das fraturas causadas na vítima.
Para o médico e para a família, a integridade física das mãos de Turra sugere a presença de um “elemento protetor e amplificador de força”. O pai da vítima, Ricardo Almeida Castanheira, reforçou o questionamento, afirmando ser improvável que alguém quebre o crânio de outra pessoa sem sofrer ao menos um ferimento leve nos dedos.
Diante das novas evidências, o assistente de acusação, Albert Halex, protocolou um pedido à Justiça do Distrito Federal para a ampliação da denúncia. A família solicita uma perícia biomecânica e uma análise especializada nas imagens de vídeo para confirmar se o ex-piloto portava algum instrumento contundente no momento do ataque.
Além da investigação sobre o soco inglês, a defesa da vítima pede a reabertura das investigações sobre as outras pessoas que ocupavam o veículo com o réu. O objetivo é apurar se houve omissão ou conivência dos acompanhantes de Turra durante o episódio que levou à morte do adolescente de 16 anos.
O caso, que inicialmente era tratado como lesão corporal gravíssima, foi reclassificado pelo Ministério Público para homicídio doloso qualificado por motivo fútil após a confirmação da morte encefálica de Rodrigo, em 7 de fevereiro. O órgão também pleiteia uma indenização de R$ 400 mil por danos morais à família.
Pedro Arthur Turra Basso permanece detido preventivamente no Complexo Penitenciário da Papuda desde o início de fevereiro. Enquanto a Justiça analisa a inclusão dos novos laudos ao processo, a reportagem segue buscando contato com a defesa do réu para que se manifeste sobre as recentes acusações.
