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Leão da Serra janta Cachorro Salsicha na Boca do Jacaré

O Estádio Serejão (Boca do Jacaré) foi palco de uma classificação épica neste domingo (15). Após oito anos de espera, o Sobradinho está de volta à decisão do Campeonato Candango. O Leão da Serra superou o Samambaia por 1 x 0 em uma partida marcada pela resiliência tática e pelo clima hostil, garantindo o direito de disputar a taça contra o Gama no próximo dia 21 de março, no Mané Garrincha.

A tarde em Taguatinga exigiu mais do que futebol; exigiu sobrevivência. O primeiro tempo foi dominado por um gramado encharcado e pesado, fruto das fortes chuvas que castigaram a região. Sob o comando do jovem Vinicius La Porta, o Sobradinho precisou abdicar do refinamento técnico para travar uma batalha de força física contra o “Cachorro Salsicha”, que jogava com a vantagem regulamentar do empate.

Na etapa final, com a drenagem do campo permitindo a bola rolar, o cenário mudou. O Sobradinho passou a rondar a área adversária com mais periculosidade, explorando as pontas. Aos 19 minutos, o esforço foi recompensado: Thiago André, o nome do jogo, avançou pela direita e cruzou com veneno. No desespero de cortar o lance, o zagueiro Iago, do Samambaia, acabou desviando contra o próprio patrimônio.

O gol contra foi o golpe que obrigou o Samambaia a se lançar ao ataque de forma desordenada. A vantagem da melhor campanha na primeira fase escorria entre os dedos, e a blitz final tornou-se dramática. A tensão subiu ao ápice aos 44 minutos, quando o meia Pedrinho, do Sobradinho, foi expulso, deixando o Leão da Serra com um jogador a menos para suportar a pressão nos acréscimos.

A retaguarda alvinegra, no entanto, transformou-se em uma muralha. Mesmo com a inferioridade numérica, o sistema defensivo suportou o “abafa” final do Samambaia, garantindo a vitória magra, mas suficiente. Ao apito final, a explosão de alegria dos jogadores do Sobradinho contrastou com um princípio de confusão e empurra-empurra entre os atletas, refletindo o nervosismo de uma semifinal decidida nos detalhes.

No meio do turbilhão emocional, uma cena de profunda religiosidade chamou a atenção: o veterano volante Aldo atravessou o gramado de joelhos. Aos 38 anos, o jogador é o símbolo da experiência deste elenco, caminhando agora em busca de sua sexta taça no Distrito Federal, após passagens vitoriosas por Luziânia e Brasiliense. Sua liderança tem sido o alicerce para o sucesso do grupo.

A classificação também consagra o trabalho meteórico de Vinicius La Porta. Aos 31 anos, ele pode se tornar o treinador mais jovem a erguer o troféu do Candangão desde 2018. Invicto desde que assumiu a prancheta na última rodada da fase classificatória, La Porta deu ao time uma organização defensiva que foi posta à prova — e aprovada — diante do Samambaia.

Agora, o desafio sobe de patamar. A final contra o Gama é a reedição histórica da decisão de 1994, quando o alviverde levou a melhor. Trinta e dois anos depois, o Sobradinho entra no Mané Garrincha com a missão de quebrar a hegemonia de um adversário que ainda não conheceu o gosto da derrota nesta temporada, sob a tutela de Luís Carlos Souza.

As estatísticas favorecem o Periquito, que ostenta nove triunfos e quatro empates em 13 jogos. Além disso, no confronto direto da primeira fase, o Gama venceu o Leão da Serra por 1 x 0. Para o Sobradinho, a final representa não apenas a chance de revanche, mas o caminho para conquistar seu quarto título candango e reafirmar sua força no cenário local.

O encontro marcado para o próximo sábado, às 16h, promete parar o Distrito Federal. De um lado, a solidez invicta do Gama; do outro, o ímpeto de um Sobradinho que aprendeu a sofrer para vencer. No tapete do Mané Garrincha, o futebol candango conhecerá seu novo soberano em uma tarde que promete entrar para os anais da história esportiva da capital.

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