Estava arrumando a mesa de trabalho do meu marido quando me deparei com um texto de sua autoria. Ao lê-lo, irradiou-se instantaneamente — dos meus olhos até a minha boca — um sabor de vida humanizada. Eu não sabia que ele também partilhava desse caudaloso sentimento do viver. E me veio à mente Clarice: “todo momento de achar é um perder-se a si próprio”. Ele parecia ter compreendido, com elegância, essa artesania do melhor viver. A seguir, transcrevo:
“Vida: Uma prisão liberta
Nascerás, viverás e morrerás.
Não te será possível ser outro ou, simplesmente, não ser ninguém.
Isso não depende de ti.
Existir não é um ato da vontade humana.
Terás de ser tu.
Habitar-te.
Existirás por ti
e continuarás dentro de ti.
O que muitos entendem como liberdade, poucos enxergam como prisão:
celas que não podem ser serradas,
muros que não podem ser transpostos —
apenas uma estrada que deve ser percorrida.”
Adilson Alexandre
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Sandra J. M. Villaverde (@profsandra.villaverde) é professora universitária e advogada criminalista no Rio de Janeiro – RJ.
