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Lula acerta em cheio com Lima e Silva na Justiça

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Nesta terça-feira, 13 de janeiro, acompanhei o anúncio do novo ministro da Justiça com a sensação clara de que não se trata apenas de uma troca de nomes, mas de um movimento político bem calculado. O presidente Lula escolheu o advogado Wellington César Lima e Silva, alguém com currículo robusto e trânsito conhecido nos bastidores do poder.

Lima e Silva não é um novato. Ele comandava o departamento jurídico da Petrobras e já havia passado, ainda que brevemente, pelo Ministério da Justiça durante o governo Dilma Rousseff, quando ocupou o cargo por 11 dias. Antes disso, construiu carreira sólida no Ministério Público da Bahia, onde foi Procurador-Geral do Estado por duas vezes, e, mais recentemente, atuava como Advogado-Geral da Petrobras. Ou seja, experiência institucional não lhe falta.

Ele assume no lugar de Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo na última quinta-feira. A substituição, ao meu ver, sinaliza mais do que continuidade administrativa: aponta para uma reorganização estratégica do governo num momento em que a pauta da segurança pública ganha cada vez mais centralidade no debate nacional.

Também enxergo essa escolha como uma vitória clara de Jorge Messias, que passa a contar com um amigo e aliado direto à frente de uma das pastas mais sensíveis do governo. Essa sintonia política e jurídica tende a facilitar articulações e dar mais coesão às decisões que virão.

Sem dúvida, trata-se também de uma vitória do PT-BA, que nos últimos dias tem se organizado intensamente de olho no ano eleitoral. Tudo indica que a segurança pública será o eixo central desse debate, e ter um nome de confiança no Ministério da Justiça reforça essa estratégia.

No fim das contas, a escolha de Wellington Lima e Silva me parece menos improviso e mais sinalização: o governo se arma politicamente, fortalece alianças internas e se prepara para um embate eleitoral em que justiça e segurança estarão no centro da arena.

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