Em meio a um cenário político cada vez mais marcado pela rigidez de posições e pela dificuldade de admitir equívocos, chama atenção a sinalização do presidente Lula ao reconhecer o erro na chamada “taxa das blusinhas”. A possibilidade de revogação do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 é, sobretudo, um gesto político. Governar também é saber ouvir, recalcular rotas e, quando necessário, corrigir escolhas que não produziram os efeitos esperados.
A medida, desde sua concepção, enfrentou forte rejeição popular. Não se tratava apenas de tributação, mas de um símbolo de desconexão com a realidade de milhões de brasileiros que recorrem a compras internacionais como alternativa de consumo mais acessível. Ao admitir o equívoco, o governo demonstra sensibilidade e capacidade de leitura do ambiente social, algo que nem sempre é comum na política. Insistir no erro, por outro lado, seria aprofundar desgastes desnecessários.
Se a revogação de fato se concretizar, será um golaço do governo Lula. Não por apagar completamente o desgaste causado, mas por sinalizar maturidade institucional. Mais do que acertar sempre, espera-se de um governo a capacidade de aprender e agir quando percebe que errou.
