Notibras

Mais perdido que o 1º de abril

Os arranjos eleitorais em Santa Catarina ainda estão em construção. As pesquisas mais recentes colocam como favoritos ao Senado nomes já conhecidos do eleitorado: Carol de Toni, do PL, e Esperidião Amin, hoje filiado ao Progressistas. Nesse desenho, um nome que chama atenção pela ausência de viabilidade é o de Carlos Bolsonaro, que, apesar do peso do sobrenome, parece não ter encontrado terreno fértil fora de seu reduto tradicional.

Nos bastidores, a movimentação é intensa e revela o quanto a política ainda se estrutura em negociações e promessas. Há um esforço claro para demover Esperidião Amin de disputar o Senado, com acenos que vão desde espaços privilegiados até a oferta de ministérios em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Trata-se de uma tentativa de rearranjar o tabuleiro para abrir caminho a outros projetos, mas que esbarra em um obstáculo fundamental: a trajetória política de Amin. Experiente e calejado, dificilmente cairá em promessas que dependem de cenários incertos.

Enquanto isso, a realidade se impõe de forma dura para Carlos Bolsonaro. Diferente do que se poderia imaginar, o sobrenome não garante apoio automático, especialmente em um estado com dinâmica política própria como Santa Catarina. Há, inclusive, resistência dentro do próprio PL, com prefeitos que já sinalizam falta de entusiasmo com sua candidatura. O resultado é um cenário em que Carlos deixa de ser favorito e passa a correr um risco real de sequer se eleger. Uma demonstração clara de que capital eleitoral não se herda: se constrói.

Sair da versão mobile