Notibras

Major da PMDF é investigado por assédio sexual e abuso de autoridade

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar graves denúncias contra o major Diego dos Santos. O oficial, lotado no Departamento de Controle e Correição (DCC), é acusado de cometer assédio sexual e abuso de autoridade contra uma cabo da corporação que era sua subordinada direta.

A investigação foi formalmente aberta pela Corregedoria da PM após uma requisição direta do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O documento que autoriza a apuração foi publicado originalmente no dia 5 de janeiro, mas o conteúdo dos fatos veio a público apenas nesta sexta-feira.

De acordo com as informações colhidas no inquérito, os episódios de assédio teriam ocorrido de forma sistemática entre dezembro de 2023 e julho de 2025. O cenário dos crimes seriam as próprias dependências do Departamento de Controle e Correição, unidade ironicamente responsável por zelar pela ética na tropa.

O caso corre sob sigilo de justiça para preservar a identidade e a integridade da vítima. Segundo o Ministério Público, a cabo decidiu buscar ajuda e compareceu pessoalmente à instituição para formalizar a denúncia, relatando uma rotina de constrangimentos que teria se estendido por quase dois anos.

O relato da vítima aponta que o comportamento inadequado do major teve início após uma confraternização da unidade em dezembro de 2023. Na ocasião, o oficial teria insistido excessivamente para acompanhá-la até sua residência, demonstrando um comportamento invasivo que rompia a relação profissional.

Após esse evento, o major teria passado a proferir comentários impróprios e de cunho sexual no ambiente de trabalho. Mesmo diante da resistência da subordinada, as investidas continuaram, criando um ambiente hostil e degradante para a policial dentro do quartel.

A situação teria se agravado quando a cabo iniciou um relacionamento afetivo com outro militar, que também era subordinado ao major investigado. A partir desse momento, a denúncia indica que o assédio sexual se desdobrou em perseguição profissional e abuso de autoridade como forma de punição.

A vítima relatou ter sofrido diversas “retaliações funcionais” após o oficial tomar conhecimento de seu relacionamento pessoal. O inquérito detalha que a rotina de trabalho da cabo passou a ser prejudicada por decisões administrativas que visavam puni-la ou isolá-la dentro da unidade.

Em um dos episódios citados, ocorrido em agosto de 2024, o major Diego dos Santos teria acusado a subordinada formalmente de indisciplina. A acusação teria sido fabricada após a cabo questionar uma abordagem do oficial, servindo como ferramenta de intimidação e controle.

Em nota oficial, a Polícia Militar informou que, assim que tomou conhecimento das graves acusações, a Corregedoria agiu imediatamente. Além da abertura do inquérito, foi solicitada à Diretoria de Pessoal Militar a movimentação cautelar de todos os envolvidos no caso.

A corporação ressaltou que o afastamento e a transferência dos militares de suas funções originais são medidas necessárias para assegurar a total imparcialidade na apuração dos fatos. O objetivo é evitar que o poder hierárquico do investigado possa interferir na coleta de provas ou no depoimento de testemunhas.

Até o fechamento desta reportagem, a defesa do major Diego dos Santos não havia sido localizada para comentar as acusações. O espaço segue aberto para que o oficial apresente sua versão sobre os fatos investigados pela Corregedoria e pelo Ministério Público.

Sair da versão mobile