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Michelle assume Nikolas e deixa Carlos no vácuo

A direita brasileira, que tanto gosta de posar como guardiã da ordem, tem protagonizado um espetáculo curioso e ao mesmo tempo constrangedor. Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira parecem disputar atenção nas redes sociais, com trocas de farpas, críticas, indiretas e uma constante tentativa de marcar território diante do próprio público. O que poderia ser tratado nos bastidores virou conteúdo público, como se a política fosse um reality show permanente.

Nesse enredo, Michelle Bolsonaro não faz questão alguma de manter neutralidade. Ao contrário: seu apoio explícito a Nikolas Ferreira escancara fissuras dentro do próprio campo bolsonarista. E não para por aí. Em Santa Catarina, sua preferência por Esperidião Amin em detrimento de Carlos Bolsonaro adiciona mais um capítulo a essa novela política familiar. É como se, aos poucos, a unidade vendida ao eleitorado fosse dando lugar a disputas internas cada vez mais visíveis.

Talvez nada disso tenha grande impacto eleitoral. O eleitor médio pode até ignorar essas rusgas e continuar votando conforme suas convicções. Mas há algo de cômico em ver a família Bolsonaro expor suas próprias divergências em praça pública. Se não altera o rumo da política, ao menos cumpre um papel: entre um escândalo e outro, oferece ao público algum entretenimento.

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