Ele avançava pelo bosque desconhecido, e pontilhava de palavras a trilha que seus passos desbravavam. Elas eram a versão de escritor das migalhas lançadas ao solo, na história infantil de João e Maria.
Porém migalhas de pão, ou palavras, não asseguram um retorno. São devoradas pelas aves ou consumidas pelos leitores.
Ele não se importava. Era bom que isso acontecesse – para os pássaros e para os leitores. No fundo, sabia que a volta era impossível. Era preciso avançar sempre, enquanto desse, penetrar cada vez mais fundo no bosque continuamente transformado a cada texto seu, a cada texto de cada autor. Era esse o destino dos personagens dos contos de fadas, e também dos escritores.
Até que não fosse possível seguir em frente, as palavras se esgotassem e os pássaros, vorazes, se precipitassem sobre ele.
