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Ministério da Justiça vê abusividade em alta de combustíveis e PF abre inquérito

Uma operação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, identificou indícios de aumento abusivo nos preços dos combustíveis em pelo menos 29 postos do Distrito Federal. A fiscalização ocorreu após denúncias de que redes estariam utilizando o cenário de guerra no Oriente Médio como pretexto para elevar valores, mesmo sem reajustes oficiais da Petrobras.

A ação conjunta mobilizou agentes do Procon e da Polícia Federal, que inspecionaram pontos de venda não apenas no DF, mas em diversos estados do país. Durante as vistorias, as equipes não se limitaram à conferência dos preços nas bombas, verificando também a conformidade e a qualidade do combustível oferecido aos consumidores brasileiros.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, anunciou oficialmente a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar a conduta dos estabelecimentos em nível nacional. No recorte local do Distrito Federal, a rede Cascol concentra a maioria das suspeitas, respondendo por 24 dos 29 postos identificados com reajustes considerados fora do padrão.

Os dados coletados apontam que os aumentos aplicados em apenas uma semana chegaram a atingir a marca de 16%. Na média, o óleo diesel registrou uma elevação de R$ 0,60 (13%). O monitoramento da Senacon utiliza como base dados do Ministério de Minas e Energia e levantamentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Segundo o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, a elevação de preços sem justificativa técnica em momentos de conflito internacional fere diretamente o Código de Defesa do Consumidor. Para o governo, o uso da guerra como “falsa alegação de impacto” para lucros excessivos é o foco principal das sanções que podem ser aplicadas aos estabelecimentos flagrados.

Por outro lado, o Sindicombustíveis-DF confirmou a alta nas bombas e justificou que o reajuste acumulado no diesel já ultrapassa R$ 0,89 por litro desde o início do conflito. A entidade alega que, embora o governo federal tenha zerado impostos como PIS e Cofins, a medida foi insuficiente para conter a pressão de custos repassada pelas distribuidoras.

O sindicato relata ainda dificuldades logísticas severas, com distribuidoras operando sob regime de cotas diárias e postos chegando a fechar por falta de produto. De acordo com a nota, a necessidade de importar cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina consumida no Brasil torna o mercado interno inevitavelmente vulnerável às oscilações de custo do mercado global.

Por fim, o setor produtivo destaca que os leilões realizados pela Petrobras para suprir distribuidoras regionais têm registrado ágios de até R$ 2,60 sobre o preço de tabela. Com o conflito sem previsão de término, os revendedores afirmam estar repassando os custos diretos recebidos das companhias, alegando impossibilidade de absorver as constantes altas sem mexer no preço final.

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