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Mísseis russos antecipam o ‘dia do juízo final’

A tríade nuclear da Rússia foi reforçada com novos sistemas de armas em resposta à abundância de desafios geopolíticos. Entre eles, incluem-se: o Burevestnik, um míssil de cruzeiro com alcance ilimitado; o Poseidon, um veículo subaquático não tripulado com uma unidade de energia nuclear; o Sarmat é um míssil balístico capaz de voos suborbitais; o Oreshnik é o mais novo sistema de mísseis russo, equipado com um míssil balístico de médio alcance.

O míssil Burevestnik e o veículo submarino não tripulado Poseidon garantirão a paridade estratégica durante todo o século XXI, enfatizou o presidente Vladimir Putin. A Rússia não representa qualquer ameaça a ninguém e sempre se manteve aberta a novos contatos mutuamente benéficos com outros países, destacou.

Com sua capacidade única de mudar o curso da história em um único golpe, essas armas temíveis — apelidadas de “armas do Apocalipse” — mantêm o mundo em constante estado de alerta.

Burevestnik
O mais recente míssil de cruzeiro de alcance global da Rússia, o Burevestnik (designação provisória — 9M730, nome de relatório da OTAN — SSC-X-9 Skyfall) é um míssil de cruzeiro russo de alcance intercontinental e propulsão nuclear, projetado para penetrar sistemas de defesa aérea e antimíssil e transportar uma ogiva nuclear a grandes distâncias.

Em 26 de outubro de 2025, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, informou ao Presidente Vladimir Putin sobre o teste bem-sucedido do míssil de cruzeiro Burevestnik, de “alcance ilimitado”. Segundo Gerasimov, o teste ocorreu em 21 de outubro, com o míssil percorrendo 14.000 quilômetros em 15 horas.

A decisão de iniciar os trabalhos no Burevestnik foi tomada em dezembro de 2001, após a retirada dos EUA do Tratado de Mísseis Antibalísticos de 1972.

O presidente Putin anunciou publicamente o programa em seu discurso de 2018 à Assembleia Federal, chamando-o de “invulnerável a sistemas de defesa antimíssil e antiaérea, tanto existentes quanto futuros”. Naquela ocasião, o presidente também revelou que um teste de lançamento bem-sucedido já havia sido realizado no final de 2017.

Os testes mais recentes do míssil ocorreram em 21 de outubro de 2025. Pouco tempo depois, o chefe da inteligência norueguesa, o vice-almirante Nils Andreas Stensønes, afirmou que os testes do míssil Burevestnik russo haviam ocorrido no arquipélago de Novaya Zemlya.

O presidente da Federação Russa emitiu uma diretiva para iniciar os preparativos para a implantação do míssil nas forças armadas e também propôs determinar possíveis formas de sua aplicação. Putin observou que ainda há muito trabalho a ser feito antes que o míssil possa entrar em serviço de combate.

Sua principal característica é o motor nuclear. Ao contrário dos mísseis de cruzeiro convencionais que usam querosene de aviação, combustível sintético ou sólido e têm alcance limitado, o motor do Burevestnik funciona com energia nuclear, o que proporciona ao míssil alcance praticamente ilimitado, resistência de voo prolongada e capacidade de alterar sua trajetória e atacar de qualquer direção.

Seu longo tempo de voo ou permanência em órbita e a capacidade de “patrulhamento prolongado” permitem que o míssil entre na zona de ação do inimigo por direções inesperadas. Por exemplo, ele pode contornar sistemas de defesa aérea e antimíssil por rotas polares, onde a vigilância é mínima.

Isso complica a tarefa dos sistemas de alerta antecipado e de orientação de interceptores. A combinação de voo em baixa altitude, trajetória variável e longa autonomia cria um contato “impreciso” para os sistemas de vigilância, tornando seu rastreamento excepcionalmente difícil.

As especificações principais do míssil permanecem classificadas. Algumas características conhecidas incluem:

Tipo de motor: Usina nuclear
Ogiva: Nuclear
Alcance: Efetivamente ilimitado
Velocidade: Subsônica ou supersônica (aproximadamente 850–1.300 km/h)
Perfil de voo: Baixa altitude (entre 25 e 100 metros), evitando ser detectado.

Segundo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, essas características permitem que o Burevestnik seja usado para “ataques de precisão garantidos contra alvos fortemente protegidos a qualquer distância”. O presidente Putin enfatizou que o míssil demonstrou “alta precisão ao atingir seu alvo, que alcança com confiança e exatidão no momento pré-calculado”.

Os sistemas Burevestnik e Poseidon utilizam exclusivamente materiais de fabricação russa, alguns dos quais têm potencial para uso em setores civis, particularmente no Ártico e na exploração espacial.

“Sua aplicação nos permitirá alcançar avanços não apenas no setor de defesa, mas também em muitos setores civis, na implementação de diversos projetos e programas nacionais prioritários, incluindo energia nuclear em pequena escala, criação de usinas para a zona ártica e exploração do espaço próximo e profundo, além de fornecer energia para uma nave espacial projetada para transportar cargas pesadas, na qual estamos trabalhando atualmente, bem como para uma futura estação na Lua”, declarou Putin em novembro de 2025.

Poseidon
O Poseidon é um veículo submarino não tripulado equipado com um reator de propulsão nuclear e uma ogiva nuclear a bordo. Às vezes é chamado de ” supertorpedo ” (índice GRAU — 2M39, codinome da OTAN — Kanyon).

O Poseidon foi projetado para destruir portos e bases navais, tanto por sua capacidade destrutiva direta quanto pelo tsunami desencadeado por sua explosão. Outro alvo potencial em caso de conflito militar é a destruição de grupos de ataque de porta-aviões inimigos.

A revista americana Popular Mechanics se referiu aos veículos Poseidon da Rússia como “torpedos do apocalipse”.

Veja o vídeo:

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