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Morte suspeita de João Paulo I vai seguindo suspeita

José Escarlate

Polêmico e arrogante ao extremo, Paul Marcinkus, que chefiava a segurança do Papa João Paulo II, era americano de Illinois. Filho de um imigrante lituano, limpador de janelas, ele foi ordenado sacerdote em 1947, em Chicago, sendo licenciado em Direito Canônico pela Universidade Gregoriana. No Vaticano, conheceu e tornou-se amigo do Cardeal Montini, futuro Papa Paulo VI, indo servir na Nunciatura Apostólica.

Intérprete do Papa João XXIII, Paul Marcinkus foi guarda-costas do Papa Paulo VI e depois nomeado secretário da Cúria Romana. Levava uma vida agitada no Vaticano e em Roma, até que em 1979 foi vítima de uma tentativa de sequestro pelas Brigadas Vermelhas. Marcinkus chefiava o Banco do Vaticano quando houve a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, em 1982, no qual tinha laços próximos. Sempre negou qualquer irregularidade. Procurado para interrogatório, foi-lhe concedida imunidade como empregado do Vaticano.

O NYT o descreveu como sendo uma pessoa sem cerimônia e abrupta. Até que chegou ao alto escalão do Vaticano como pró-presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano, ocupando o terceiro lugar atrás do Papa e do secretário de Estado.

O jornalista britânico David Yallop, em seu livro “Em nome de Deus”, especula que Marcinkus tenha desempenhado, com o então secretário de Estado, Cardeal Villot e com Roberto Calvi, dirigente do Banco Ambrosiano, ações que resultaram na morte do Papa João Paulo I, após um pontificado de apenas 33 dias. Na ocasião havia uma forte oposição à forma como eram conduzidas as finanças do Vaticano. Há uma tese de que a morte do Papa João Paulo I, na noite de 28 de Setembro de 1978 foi causada por envenenamento.

Esta teoria foi corroborada pelas declarações de Vincenzo Calcara poucos dias depois da tentativa de assassinato do Papa João Paulo II. Calcara revelou que João Paulo II iria seguir a mesma política que João Paulo I, que queria “quebrar o equilíbrio dentro do Vaticano”, redistribuindo a propriedade do banco do Vaticano, mudando os líderes de IOR, Marcinkus e Villot. A tese de Yallop é refutada pelo historiador John Cornwell que, após o inquérito, concluiu que João Paulo I morreu esmagado pela magnitude de uma tarefa que ele não estava preparado. O pensamento era de que ele teria sido assassinado.

Ainda como agravantes o fato de que, no dia anterior, o Papa João Paulo I submeteu-se a exame de rotina, sendo constatado estar saudável. Curiosamente, seu corpo não foi autopsiado e nem a causa da sua morte determinada. Paul Marcinkus foi encontrado morto em sua casa, aos 84 anos de idade, em 20 de fevereiro de 2006, em Sun City, no Arizona.

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