Há uma frase que me fazia rir e, agora, nem tanto:
“75 anos (ou qualquer que seja a idade do atleta) não é muito, se você for uma árvore”.
Parei de rir dessas palavras quando fiz 71 anos. Agora estou com 75, em junho completo 76 outoninhos – tô virando um baobá. Falta muito pra uma sequoia, mas vamos em frente, não estou com a menor pressa.
Então, procurei definições de idade mais amenas, menos adversas à autoestima. Uma delas foi dada por uma amiga, no seu aniversário:
“Não estou envelhecendo, estou virando um clássico.”
É bom, melhor que ser uma árvore. O problema é que clássico, pra quem escreve, remete àqueles livros luxuosamente encadernados, vendidos a metro, para preencher estantes de apartamentos luxuosos, pertencentes a milionários arrogantes e incultos. Livros que jamais serão abertos, manuseados. Então, não.
Outra amiga observou:
“Eu não envelheci, virei edição de colecionadores”.
Edição de colecionador é melhor que clássico. Colecionadores apreciam, em certos casos amam de paixão as coisas que têm e as conservam com todo zelo. O problema é que em geral são velhos, cheios de manias – em processo amplo, geral e irrestrito de baobagem ou sequoiagem. E de velho basta eu.
Então cheguei a outra definição, minha (a menos que tenha roubado as palavras de alguém e não lembre, memória de veio é uma lama):
“Não estou velho, virei vintage”.
Vintage é melhor que edição de colecionador, clássico e incomparavelmente melhor que árvore. Vintage alarga o leque, abrange moçoilas descoladas que curtem usar vestidos antigos e por aí vai. (Abrange moços também, mas melhor não, não é minha praia). Vintage remete a algo usado e abusado, ostentado, esfregado na cara das invejosas. E pra todos esses usos e abusos me ofereço, sôfrega e humildemente.
Então, moçoilas descoladas – nem precisam ser moçoilas, mulheres de qualquer idade me divertem – que queiram me fazer mal, aproveitar da inocência de um veínho vintage, não hesitem, não pensem duas vezes, estamos aí.
