A previsão do tempo era clara e foi amplamente divulgada: Brasília enfrentaria um dia de clima severo, com chuva intensa, ventos fortes, trovoadas e descargas elétricas. Não era um alerta vago, era um aviso objetivo de risco. Ainda assim, a extrema direita decidiu seguir adiante com a convocação de uma manifestação que não tinha outro propósito além de alimentar sua agenda eleitoral e produzir imagens para as redes sociais.
O resultado foi trágico. Em meio ao temporal, um raio atingiu o local do ato. Houve 89 pessoas feridas, 47 hospitalizadas e 11 em estado grave. Números que não podem ser tratados como um acidente inevitável, mas como consequência direta de uma decisão irresponsável.
É evidente que cada pessoa que foi à manifestação assumiu um risco individual. Mas essa conta não pode ser jogada apenas no colo dos participantes. Ela recai também, e de forma pesada, sobre quem convocou, incentivou e transformou o evento em espetáculo político. O deputado Nikolas Ferreira, ao insistir na mobilização mesmo diante das condições climáticas extremas, expôs vidas em nome de engajamento, likes e visibilidade.
A política não pode ser reduzida a uma performance para redes sociais. Quando a busca por cliques se sobrepõe ao cuidado com as pessoas, o preço cobrado é alto demais. Não estamos falando de uma chuva inesperada, mas de um cenário anunciado, previsível e evitável. Bastava adiar, cancelar ou agir com responsabilidade.
O episódio revela o grau de desprezo pela segurança coletiva em nome da propaganda política. Transformar uma tragédia potencial em material de narrativa eleitoral é um sinal alarmante de como parte da extrema direita opera: colocam o espetáculo, os cliques e likes acima de qualquer coisa.
