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Nem na casa mais vigiada do país mulher está a salvo

Neste domingo (18), no Big Brother Brasil, o participante Pedro assediou Jordana, e a cena escancarou uma verdade incômoda que a gente insiste em empurrar para debaixo do tapete.

Se na casa mais vigiada do Brasil, cercada por mais de cem câmeras, microfones ligados e olhos atentos 24 horas por dia, uma mulher não está segura, onde estará? O que isso diz sobre os espaços “comuns”, sobre o trabalho, a rua, o transporte, a festa, a própria casa? O argumento da vigilância cai por terra quando o problema é estrutural. Câmera nenhuma substitui respeito.

Não se trata de exagero, nem de “mal-entendido”. Trata-se de limites violados e de uma cultura que normaliza o desconforto feminino como se fosse detalhe. O reality apenas amplifica o que acontece todos os dias, longe das lentes, quando muitas mulheres ainda são desacreditadas, culpabilizadas ou pressionadas a seguir em frente como se nada tivesse acontecido.

O episódio deveria nos convocar à responsabilidade coletiva: à intervenção imediata, à escuta das vítimas, às consequências claras para quem ultrapassa limites. Porque segurança não pode depender da quantidade de câmeras. Precisa existir antes, no pacto básico de convivência. Enquanto isso não for regra, a pergunta segue ecoando, incômoda e necessária: se ali não estamos seguras, onde estaremos?

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