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Nikolas eleva o debate a discussões zoológicas

O debate político brasileiro já se acostumou a temperaturas elevadas, mas há momentos em que o termômetro ultrapassa qualquer limite razoável. Recentemente Nikolas Ferreira afirmou que Renan Bolsonaro, um dos filhos de Jair, teria “capacidade cognitiva menor que uma toupeira cega”. Pode até ser divertido acompanhar a confusão, mas é também a degradação do discurso público. Divergências, críticas e até embates duros fazem parte da política. O que não deveria ser normalizado é a substituição do argumento pelo ataque pessoal rasteiro.

Não é de hoje que o clima entre Nikolas Ferreira e a família Bolsonaro apresenta sinais de desgaste. Ruídos, disputas por espaço e divergências estratégicas têm aparecido de forma cada vez mais explícita. Ainda assim, há uma linha tênue e necessária entre o confronto político e a agressão gratuita. Quando essa linha é cruzada, perde-se não apenas o nível do debate, mas também a capacidade de diálogo com a sociedade, que passa a enxergar a política como um espaço de hostilidade e não de construção.

A consequência disso é o empobrecimento da política. Em vez de discussões sobre projetos, ideias e soluções para os problemas reais do país, o foco se desloca para ofensas e espetáculos de desqualificação. Isso afasta o cidadão comum e reforça o descrédito nas instituições e nos próprios representantes eleitos. A política brasileira precisa urgentemente recuperar o senso de responsabilidade no uso da palavra.

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