Me ocorreu que eu nunca escrevi abertamente sobre como eu voltei a escrever depois de mais de dez anos…
Quando a minha mãe morreu, eu fiquei tão destruída emocionalmente que comecei a ter pensamentos muito ruins; eu já falei sobre essa dor algumas vezes, mas nunca cheguei a falar sobre o quanto ela estava me destruindo de dentro para fora. Era uma dor silenciosa, tão visceral e profunda, que parecia não ter fim…
Houve momentos em que eu pensei em tirar a minha própria vida; a dor era grande demais, sufocante demais. Mas, ao mesmo tempo, havia algo que me segurava aqui: meus filhos… Eles eram tão pequenos, e eu não queria que eles sentissem a mesma dor devastadora que eu estava sentindo. Ninguém merece carregar um vazio tão grande dentro do peito…
Foi então que eu voltei a escrever…
Porque quando eu escrevia, eu conseguia expressar aquilo que estava preso dentro de mim; era a única forma que eu tinha de colocar para fora tudo o que eu estava sentindo. A escrita se tornou o lugar onde eu podia desabafar e onde a dor encontrava palavras…
Parafraseando a mim mesma: existe um tipo de dor que não passa e não cicatriza; você simplesmente aprende a existir e sobreviver com ela queimando dentro de você todos os dias. Às vezes ela fica silenciosa, às vezes ela grita, mas ela nunca desaparece completamente…
Foi dessa dor que nasceram as minhas palavras…
Eu não voltei a escrever porque estava bem…
Eu voltei a escrever porque estava quebrada demais para continuar em silêncio…
