Notibras

O assassinato de Andrea Marins e o padrão da suspeição racial

Neste domingo, 15, mais uma tragédia escancarou uma ferida antiga e profunda da sociedade brasileira. A médica Andrea Marins Dias, cirurgiã oncológica, de 61 anos, foi morta pela polícia em Cascadura, no Rio de Janeiro. Uma profissional da saúde, uma mulher que dedicou a vida a salvar outras, teve sua trajetória interrompida de forma brutal. Segundo informações oficiais, ela foi confundida com bandidos. Uma justificativa que, repetida tantas vezes, já não pode mais ser tratada como mero acaso.

No Brasil, a expressão “confundido com bandido” tem cor, tem endereço e tem padrão. Não se trata de episódios isolados, mas de uma lógica perversa que atinge, de forma recorrente, pessoas negras. Não importa a profissão, a idade ou a posição social: a pele negra segue sendo, para muitos, um marcador de suspeição. A morte de Andrea evidencia que nem mesmo o mais alto grau de formação ou o exercício de uma profissão respeitada é suficiente para garantir segurança. Basta estar no lugar errado, ou, pior, ter a cor “errada”, para que a vida seja colocada em risco.

Para quem tiver a curiosidade de pesquisar no Google o termo “confundido com bandido pela polícia”, o padrão salta aos olhos: as vítimas, em sua esmagadora maioria, são negras. Isso não é coincidência, é estrutura. É o retrato de um país que ainda naturaliza a violência racial e permite que ela se reproduza sob o manto da legalidade.

Meus mais sinceros sentimentos à família e amigos de Andrea Marins Dias.

Sair da versão mobile