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O “Cão Leão” que saiu dos palácios para conquistar os lares brasileiros

O Shih Tzu é hoje uma das raças mais populares nas cidades brasileiras, mas sua história começa muito longe daqui, nas montanhas sagradas do Tibete. Lá, esses pequenos cães eram considerados sagrados pelos monges budistas, que viam neles uma representação em miniatura do “Leão de Buda”.

Diz a lenda que esses cães acompanhavam Buda em suas viagens e tinham a capacidade de se transformar em leões temíveis para protegê-lo. Por essa razão, os exemplares originais eram criados dentro de mosteiros e raramente eram vistos por pessoas de fora daquele círculo espiritual.

Com o passar dos séculos, a raça chegou à China como um presente diplomático para a realeza. Nos palácios da Cidade Proibida, os Shih Tzus tornaram-se os favoritos da Dinastia Ming, vivendo em condições de luxo extremo, com servos dedicados exclusivamente ao seu bem-estar e conforto.

A raça quase foi extinta durante a Revolução Chinesa no início do século XX, quando muitos cães imperiais foram perdidos. No entanto, alguns exemplares foram levados para a Inglaterra e a Noruega por diplomatas, e são esses poucos sobreviventes que deram origem a todos os Shih Tzus que conhecemos hoje.

Diferente de outras raças que foram criadas para caçar ou pastorear, o Shih Tzu foi “projetado” apenas para ser um companheiro de colo. Isso explica sua personalidade extremamente dócil e o fato de ele não possuir instintos agressivos, preferindo sempre a proximidade humana.

Uma das maiores qualidades da raça é a sua adaptabilidade. Eles se ajustam perfeitamente à vida em apartamentos, pois não necessitam de grandes quintais ou de exercícios físicos intensos. Para um Shih Tzu, uma caminhada leve e o conforto do sofá ao lado do dono são o cenário ideal.

O dono ideal para um Shih Tzu é alguém que busca um amigo fiel e carinhoso. É a raça perfeita para idosos que desejam companhia constante ou famílias com crianças, já que esses cães costumam ser muito pacientes e sociáveis com outros animais de estimação.

No entanto, o futuro tutor precisa estar ciente da “teimosia real” desses cães. Como foram mimados por imperadores por séculos, eles podem ser um pouco difíceis de adestrar. O treinamento exige paciência, reforço positivo e, principalmente, muita persistência por parte do dono.

Quanto aos cuidados, o ponto principal é a pelagem. Seus pelos crescem continuamente e, se não forem escovados diariamente, formam nós que podem causar dor e doenças de pele. Muitos donos optam pela “tosa bebê”, que mantém os pelos curtos e facilita a limpeza.

A saúde ocular é outro ponto crítico. Por terem olhos grandes e saltados, eles são mais suscetíveis a irritações e ferimentos. É importante manter os pelos do rosto sempre presos ou aparados e realizar a limpeza frequente com soro fisiológico para evitar infecções.

Por serem cães braquicefálicos (com o focinho “achatado”), eles têm certa dificuldade para regular a temperatura do corpo e podem sofrer com o calor excessivo. O tutor deve evitar passeios em horários quentes e garantir que o animal esteja sempre em ambientes ventilados.

Em resumo, ter um Shih Tzu é trazer um pedaço da história imperial para dentro de casa. Com os cuidados certos e muito afeto, esses pequenos “leões” retribuem com uma lealdade profunda, provando que continuam sendo os melhores companheiros que a realeza (e nós) poderia desejar.

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Instagram: @leoobernar

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