O corpo das mulheres nunca foi apenas um corpo individual. Ele sempre foi território social, político e moral.
Rita Segato argumenta que a violência contra mulheres não é apenas violência individual, mas uma forma de comunicação de poder. Controlar o corpo feminino sempre foi uma forma de organizar a sociedade.
O corpo das mulheres é regulado por leis, religiões, padrões de beleza, normas de comportamento, expectativas familiares. Ele é observado, avaliado e julgado constantemente.
Poucos corpos são tão socialmente monitorados quanto o corpo feminino.
Mas esse mesmo corpo também é território de resistência: quando mulheres ocupam ruas, universidades, parlamentos, elas estão também redefinindo o significado político de seus próprios corpos.
O corpo feminino, historicamente controlado, torna-se também instrumento de transformação social.
