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O Distrito Federal não é um lugar tão seguro como dizem

O Distrito Federal não é mais um lugar seguro. Não quero aqui comparar números com nenhuma outra unidade da federação, nem disputar rankings de violência. Quero apenas apontar o óbvio: ninguém mais se sente seguro no DF.

A sensação de medo se instalou no cotidiano, atravessa bairros, classes sociais e rotinas aparentemente banais. Há poucos meses, um adolescente foi assassinado na Asa Sul. Nesta semana, um professor foi morto em Sobradinho II. Gente comum. Pessoas que não estavam envolvidas com crimes, que não “procuraram problema”, que estavam simplesmente vivendo suas vidas quando foram vítimas da violência urbana. Quando a violência atinge o cidadão comum, ela rompe de vez a ilusão de normalidade.

E como se não bastasse, todos sabem que o Distrito Federal figura entre as unidades com maiores taxas de feminicídio do país. Mulheres seguem sendo mortas dentro de casa, por parceiros ou ex-parceiros, muitas vezes após uma longa sequência de violências ignoradas ou mal acompanhadas pelo Estado. Não é um dado abstrato: é um alerta permanente de que há algo muito errado na forma como lidamos com prevenção, proteção e resposta.

Viver no DF hoje é calcular trajetos, evitar horários, mudar hábitos, olhar para os lados o tempo todo. É sentir que a cidade, que deveria ser espaço de convivência e circulação, se tornou território de vigilância constante. Isso não é qualidade de vida. Isso não é aceitável.

É preciso tratar a segurança pública com seriedade. Segurança não pode ser discurso vazio nem promessa genérica de campanha. Qualquer projeto sério de governo precisa apresentar medidas concretas, integradas, que envolvam prevenção, inteligência, valorização das forças de segurança, políticas sociais e proteção efetiva das populações mais vulneráveis, especialmente mulheres e jovens.

O que está em jogo não é estatística. É a possibilidade de viver sem medo. E isso deveria ser o mínimo que o Estado nos garante.

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