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O EQUILÍBRIO DO RISCO

BICICLETA

Na curva da rua, desperta o sentido.
Meu corpo se encontra no aço polido.
A roda que gira, constante e concisa,
Traduz o que a carne não diz, mas precisa.

O pulso acelera em firme cadência.
Dialoga com o tempo e desafia a inércia.
No sopro do vento, que corta e refaz,
Me ensina o limite e a ir sempre mais.

Os músculos falam em língua precisa,
Na fibra que rompe e força que pisa.
O joelho, dobrando, revela a verdade.
Não há movimento sem fragilidade.

A corrente que canta em um ciclo perfeito,
Repete no corpo o íntimo leito.
O sangue acompanha, em fluxo profundo,
O giro constante que move o mundo.

Se paro, desabo, em uma lição incontida.
Há um equilíbrio em verbo que exige partida.
Seguir é o pacto silencioso e forte,
Entre o corpo que insiste e o risco do corte.

E assim, bicicleta e corpo se alinham,
Em rimas que o tempo e o fôlego dançam.
Um verso se escreve no asfalto e no ser.
Entendi que viver é cair, e ainda assim, correr.

……………

Renan Damázio, carioca, é advogado, professor e poeta, autor do livro “Emoções e Reflexões”.

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