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O eterno passageiro – um perfil de Murilo Mendes

Existem poetas que escrevem para o seu tempo e existem aqueles, como Murilo Monteiro Mendes, que escrevem para a eternidade.

Nascido em Juiz de Fora, no dia 13 de maio de 1901, Murilo não foi apenas um escritor; foi um visionário que fundiu o cotidiano brasileiro com o surrealismo e a espiritualidade universal.

A vida de Murilo foi marcada por encontros profundos. Um dos mais belos foi sua união com Maria da Saudade, sua companheira de vida. Através dela, Murilo estreitou laços de admiração e parentesco com o ilustre intelectual português Jaime Cortesão, seu sogro.

Essa conexão não era apenas familiar, mas um verdadeiro intercâmbio de inteligência e sensibilidade entre as margens do Atlântico.

Embora profundamente brasileiro, Murilo Mendes sentia o chamado do mundo. Em 1957, ele trocou o Brasil pela Europa, estabelecendo-se em Roma. Lá, sua carreira floresceu em uma nova dimensão, onde passou a lecionar cultura brasileira na prestigiada Universidade de Roma. O poeta, que começou como um “polímata” das letras em solo carioca, tornou-se um embaixador da nossa alma no exterior.

Sua trajetória poética é um labirinto de luzes e sombras. Entre seus principais e indispensáveis livros, destacam-se:
* Poemas (1930): Onde o humor e a vanguarda se encontram.
* Tempo e Eternidade (1935): marcando sua fase de conversão e misticismo.
* A Poesia em Pânico (1938): Um grito existencial diante das incertezas do mundo.

O destino quis que Murilo Mendes partisse em solo europeu, aproximando-se ainda mais das raízes de sua amada Maria da Saudade. O poeta faleceu em Lisboa, no dia 13 de agosto de 1975. Ele nos deixou em corpo, mas sua poesia permanece como um convite constante para enxergarmos o extraordinário escondido na rotina.
Murilo continua sendo, como ele mesmo dizia, um “homem provisório” que alcançou a permanência absoluta no coração da nossa literatura.

Não foi antepassado, porque não teve filhos. Mas é sempre o futuro para os poetas.

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Cassiano Condé, 82, gaúcho, deixou de teclar reportagens nas redações por onde passou. Agora finca os pés nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai pérolas que se transformam em crônicas.

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