Notibras

O gigante de aço que vigia a capital há quase seis décadas

Inaugurada em 1967, a Torre de TV de Brasília consolidou-se como um dos maiores ícones do Eixo Monumental. Com seus imponentes 224 metros de altura, a estrutura é um ponto de referência visual para quem circula pelo centro da capital federal, servindo tanto como suporte para transmissões radiofônicas e televisivas quanto como um dos principais polos de lazer para os brasilienses e visitantes.

Diferente de boa parte das obras monumentais da cidade, a Torre não leva a assinatura de Oscar Niemeyer. O projeto é de autoria de Lúcio Costa, que buscou inspiração na famosa Torre Eiffel, em Paris, para conceber a estrutura metálica. O monumento detém o título de estrutura mais alta do Distrito Federal e, por quase duas décadas após sua inauguração, foi a construção mais alta de todo o Brasil.

Atualmente, o gigante brasiliense ocupa a quinta posição no ranking nacional de altura. Perde apenas para estruturas como o Observatório de Torre Alta da Amazônia e grandes torres de transmissão de energia e rádio localizadas no Amazonas e no Rio Grande do Sul. Ainda assim, sua relevância arquitetônica e turística permanece inigualável, atraindo entre dez e doze mil visitantes por semana para a região do Jardim Burle Marx.

A arquitetura da Torre é composta por uma base de concreto aparente de formato triangular, com 25 metros de altura e fechamento em vidro. Essa estrutura robusta é sustentada por três pilares que se unem em um formato de “V”, servindo de fundação para a torre metálica. A parte de aço, por sua vez, eleva-se por mais 192 metros, dividida em três trechos técnicos que completam a silhueta do monumento.

O mirante é, sem dúvida, a atração mais procurada pelo público. Situado a 75 metros de altura, o espaço tem capacidade para 150 pessoas e oferece uma vista panorâmica privilegiada do Plano Piloto. De lá, é possível contemplar desde a Esplanada dos Ministérios e o Estádio Nacional Mané Garrincha até a vastidão do Lago Paranoá, funcionando de terça a domingo para o deleite dos turistas.

No primeiro andar do volume triangular, os visitantes encontram o Museu das Gemas. Trata-se de uma exposição permanente de pedras preciosas que valoriza a riqueza mineral do país. O espaço cultural está integrado à base da torre, aproveitando a circulação de pessoas que buscam o elevador para o mirante, unindo tecnologia de transmissão e preservação do patrimônio geológico.

Logo à frente da estrutura, destaca-se a escultura de bronze “Era Espacial”, assinada por Alexandre Wakenwith. Com 15 metros de altura, a obra é popularmente conhecida pelos brasilienses como “Berimbau”. A peça artística simboliza a modernidade da capital e serve como um portão de entrada visual para quem se aproxima do complexo turístico pela via central.

O entorno da torre também abriga a tradicional Feira da Torre, um dos maiores símbolos culturais de Brasília. Iniciada na década de 1970 com barracas improvisadas, a feira hoje conta com uma estrutura fixa e moderna. Desde 2014, o complexo dispõe de acessibilidade plena, incluindo escadas rolantes e elevadores que facilitam o trânsito entre os artesãos e a base da torre metálica.

Outro grande destaque do complexo é a Fonte Luminosa, entregue em 2010 como parte das celebrações do cinquentenário de Brasília. Com 80 metros de diâmetro, ela é considerada uma das dez maiores do mundo. O jato principal de água pode atingir impressionantes 50 metros de altura, tornando-se o centro das atenções durante as noites na capital federal.

Nos finais de semana, a fonte oferece espetáculos coreografados que duram cerca de quarenta minutos. Durante as apresentações, as águas ganham cores vibrantes e movimentam-se conforme o ritmo de músicas selecionadas, criando um ambiente contemplativo e festivo. O investimento para a construção dessa estrutura monumental foi estimado em cerca de nove milhões de reais na época.

A integração entre a arquitetura e a natureza fica por conta do Jardim Burle Marx, projeto paisagístico que segue em execução. Quando finalizado, o jardim será um santuário da flora do cerrado, abrigando espécies nativas como piqui, ipês de diversas cores e jequitibás. O objetivo é criar um corredor ecológico que harmonize o aço da torre com o verde típico da região central do Brasil.

O projeto, executado pela Novacap, prevê ainda a instalação de espelhos d’água, ciclovias e áreas de descanso com bancos de madeira. Ao unir história, arte, comércio popular e um mirante de tirar o fôlego, a Torre de TV de Brasília reafirma-se, ano após ano, como o coração pulsante do turismo e da identidade visual da capital federal.

Sair da versão mobile