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O medo que aprendemos a administrar

Existe um conhecimento silencioso compartilhado por muitas mulheres: a administração constante do medo.

Não é um medo permanente, mas uma atenção contínua. Caminhos escolhidos com cuidado, mensagens enviadas ao chegar em casa, chaves entre os dedos ao atravessar ruas escuras. Pequenas estratégias que se tornam hábitos.

Esse comportamento não surge do nada. Ele nasce de estatísticas, notícias e histórias próximas. Mulheres aprendem, desde cedo, que a violência de gênero é uma possibilidade concreta.

A filósofa Judith Butler argumenta que algumas vidas são consideradas socialmente mais vulneráveis porque as condições de proteção são distribuídas de forma desigual. Certos corpos são mais expostos à violência.

Administrar o medo não deveria ser habilidade necessária para existir no espaço público. No entanto, para muitas mulheres, ele se tornou parte da rotina.

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