Do que o seu poema tem fome?
De outros poemas?
Daqueles que escreveram antes?
A criação começa sempre do zero
E como isso nos consome, angustia!
Como já dizia Murilo Mendes
‘Quase sempre’ a inspiração vem
Dos poetas que nós amamos
Dos textos que lemos
Mas para mim, a pertub(ação)
É uma constante
Um desencaixe aqui, outro acolá
Um não acolhimento
Uma mente inquieta
Uma intensidade que não se basta
No peito sem c’alma
É como um sonho constante
Uma série de desencontros
Uma velha carência
Que o abismo (em mim)
Extravasa para o papel
Mas qual o segredo da palavra certa?
Como dar o start no vazio que te cerca?
Comece pelo que te incomoda
E eis aí, boa parte da inspiração
No mais …
Liberte-se! Experimente-se!
Escolha o seu personagem
E perca-se pelo caminho
Permita-se! Desabroche!
Afinal, a poesia é como tirar férias
Sem um tempo definido
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*Poema publicado, em 2023, na coletânea “A poesia é o meu legado” (Editora Inovar).
